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O católico na política segundo Giampaolo Crepaldi

Por: Família Missionária

Foi publicado pela Cantagalli no outono de 2010 o livro O católico na política, de Giampaolo Crepaldi, bispo de Trieste e presidente do Observatório Internacional Cardeal Van Thuan sobre a Doutrina Social da Igreja.

O cardeal Bagnasco evidencia no prefácio: "Este livro é dedicado ao político, a quem pretende envolver-se ou já está envolvido em um partido político, candidatar-se a cargo público, exercer papéis institucionais ou administrativos".

E se este "manual para a recuperação", como o subtítulo diz, puder ser uma ferramenta, o seu objetivo é o mesmo frequentemente reafirmado pelo papa Bento XVI: que nasça na Itália uma nova geração de católicos comprometidos na política.

O livro é dividido em duas seções, uma dedicada aos "critérios" e a outra aos "conteúdos" desse compromisso na política. As duas seções têm dez capítulos cada uma, que podem ser considerados como aulas à parte dentro de um curso de política.

Mas antes dessa parte mais didática, que será discutida mais adiante, citemos em primeiro lugar o capítulo introdutório, intitulado "Resistência, Espera, Recuperação", que é uma breve e interessante ajuda para a compreensão do histórico operacional dos últimos cinquenta anos de presença católica na política.

Crepaldi refaz este caminho indicando uma série de livros, encíclicas, documentos que marcaram esses três períodos denominados de resistência, espera e recuperação. Do primeiro, entre os anos sessenta e setenta (a resistência), um dos textos de referência é o livro O Problema do Ateísmo, do filósofo Augusto dal Noce. Da segunda fase, entre os anos oitenta e noventa (a espera), uma articulação doutrinal fundamental foi a encíclica Fides et Ratio, de João Paulo II, enquanto do terceiro período (de recuperação), temos a Nota de 2002 da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a ação e o comportamento dos católicos na vida política, que "é um momento de grande significado".

Como diz o autor, o livro é um manual. Então, daremos aqui algumas orientações para um maior aprofundamento, que pode ser feito por capítulo, por áreas ou por seções.

A seção dos critérios, que consideramos mais teórica, é composta por dez capítulos que podem ser divididos em duas áreas para facilitar a abordagem: a primeira nós chamaremos de "teórico-religiosa" e a segunda de "teórico-política". Do primeiro aspecto (o chamado teórico-religioso), podem fazer parte os capítulos intitulados "A dimensão pública do cristianismo", "A Doutrina Social da Igreja entre fé e razão", "Os princípios da Doutrina Social da Igreja", "A Nota doutrinal da Congregação para a Doutrina da Fé em 2002" e "A encíclica Caritas in Veritate, do Papa Bento XVI".

Na segunda área (chamada teórico-política), podemos incluir os outros cinco capítulos, intitulados "O problema da política laica", "A consciência dos católicos na política", "O significado dos ​​princípios não-negociáveis", "Unidade dos católicos na política?" e "Alargamento da razão política e novas ideologias".

Encontramos uma importante declaração feita por Crepaldi no capítulo que fala sobre a unidade política dos católicos e sobre a responsabilidade: "Por trás da diáspora dos católicos na política (...), há uma particular carência de doutrina. Isto significa que a doutrina da Igreja não é devidamente promovida nem recebida, que os pastores não estão devidamente comunicados entre si, que os teólogos não trabalham levando em consideração a sua função eclesial, que as universidades católicas não produzem uma coerente cultura católica, que os centros culturais católicos não operam de acordo com o magistério".

A seção de conteúdo, que consideramos mais programática, pode ser dividida novamente em duas áreas: a primeira nós chamaremos de "universal ou global" e a segunda de "local ou nacional". Da primeira área podem fazer parte os capítulos chamados "A Defesa da Vida", "Proteção e valorização da família", "A liberdade das famílias para educar os seus filhos", “Promover o direito à liberdade religiosa" e "O trabalho e a luta subsidiária contra a pobreza".

Na segunda área, inserimos os outros cinco capítulos: "A reforma do Estado para o bem comum", "A imigração e a sociedade do futuro", "A gestão responsável do meio ambiente", "A Europa e a sua identidade" e "A nação e o desenvolvimento dos povos".

E, novamente, queremos ressaltar uma frase de Crepaldi que fala das responsabilidades, no capítulo sobre a gestão ambiental: "A política deve levar em conta a ciência, mas não deve depender dela de modo cego. Precisamos ter a consciência de que, nesta sociedade do risco, nem os especialistas são sempre fiáveis​.​ É também possível criar novos riscos justamente através de intervenções incorretas. Políticas ambientais erradas podem criar um novo risco ambiental".

Crepaldi recorda, para concluir, e de certa forma adverte, que "A liderança de Bento XVI é muito clara, as indicações dadas são completas e não permitim titubeios, a era do ‘porém’ parece estar acabada, e o resultado é um novo papel de leigos católicos empenhados na política, sólidos em seus princípios e prudentes nas suas estratégias".

Diríamos, enfim, que o forte apelo às responsabilidades individuais é uma parte integrante da força das convicções religiosas.

Fonte: Zenit

 

 

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