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Paquistão: destruído um complexo da Caritas

Por: Família Missionária

No Paquistão, o governo do Punjab é acusado de "injustiça brutal" por ter mandado tratores derrubarem um complexo de propriedade da igreja, demolindo casas usadas para o acolhimento de pessoas pobres, idosos e sem teto, além de uma escola para crianças carentes e uma igreja.

Como relatado pela Ajuda à Igreja que Sofre, as famílias pobres moradoras do lote de dois hectares em Lahore foram acordadas na manhã desta terça-feira, às 6h30, com ordens de desocupar suas casas. Todos os edifícios foram demolidos: de uma pequena igreja a pelo menos sete casas, com todos os pertences ainda dentro.

Sem ter para onde ir, um grupo de famílias e pessoas que trabalhavam na escola passaram a noite seguinte no local demolido, localizado no distrito de Garhi Shahu, em Lahore. Na manhã da quarta-feira, 11 de janeiro, eles organizaram uma marcha de protesto.

Afirmando que o complexo é propriedade da Igreja desde 1887, o bispo católico de Lahore, Dom Sebastian Shaw, condenou o governo do estado de Punjab, acusando-o de "apossar-se de terras num ato criminoso".

Por telefone de Lahore, o bispo disse em entrevista à Ajuda à Igreja que Sofre que convocou uma reunião de crise para apelar ao Tribunal Superior a fim de recuperar o terreno. Condenando a demolição, Dom Shaw afirmou: "O que o governo do Punjab fez é um ato de injustiça muito, muito brutal".

"Como é que eles podem fazer isso? Chegar, destruir uma organização de caridade e arruinar a vida de pessoas que vivem lá? Eles não escutaram ninguém". E acrescentou: "Isso é um ato criminoso de confiscação de terras por funcionários do governo".

Alertando para outras ações do governo voltadas a confiscar propriedades da Igreja, o bispo continuou: "Estamos todos preocupados, agora que o governo regional e, em particular, o partido do governo no Estado de Punjab [a Liga Muçulmana “N”], está mirando os nossos edifícios e terrenos".

Uma das pessoas que perderam suas casas foi Zoniba Richard, 62, que contou que seus pertences foram destruídos e que ela não tem casa nem família com quem abrigar-se. Zoniba disse que passou a primeira noite após a demolição ao relento, no frio. Quando perguntada sobre seus planos futuros, ela falou: "Eu não sei. Só posso confiar em Deus".

A mulher foi entrevistada no local por Joris van Voorst, diretor da Ajuda à Igreja que Sofre - Holanda. Van Voorst, então em Lahore, conversou com os ministros das Finanças e das Minorias do Punjab, visitou o local após a demolição junto com Pieter Omtzigt, membro da Câmara de Haia, e disse que" os direitos das minorias foram pisoteados".

O bispo anglicano de Lahore, Alexander John Malik, condenou a demolição e pediu ao governo do Punjab que reconstrua o que foi destruído. De acordo com Malik, deverá iniciar-se uma disputa baseada na lei pasquistanesa sobre a blasfêmia, por causa da profanação de bíblias, cruzes e de uma igreja sem a permissão eclesiástica.

Em mensagem da Igreja Anglicana do Paquistão, o bispo disse que a demolição "manifesta um poder insensível e explica as graves injustiças e atrocidades contra as minorias religiosas não-muçulmanas do Paquistão".

Afirmando que a Igreja não recebeu qualquer notificação para a demolição, o diretor da Comissão Nacional Justiça e Paz do Paquistão, Pe. Emmanuel Yousaf Mani, também falou por telefone, de Lahore, com a ACN News. "As pessoas estão muito tristes. E furiosas. Eles ainda estão no lugar que eles chamam de casa".

"Temos documentos para provar quem são os legítimos donos desse terreno. O governo deve ter feito algo errado para alterar os detalhes do caso". Yousaf disse ainda que o lugar segue registrado em nome da Associação de Caridade Lahore, criada por membros do clero e por leigos de diferentes denominações cristãs e presidida pelo bispo católico de Lahore. De acordo com o padre, a disputa pela propriedade surgiu alguns anos atrás, quando o prédio principal do complexo foi usado como albergue para mulheres pobres, dirigido por freiras.

Uma mulher, após sua conversão ao islã, começou a assediar as irmãs e reivindicou o direito de propriedade dos dois quartos que havia ocupado. Enquanto o processo ainda está pendente no Tribunal Superior, de acordo com jornais locais, os funcionários do governo do Punjab afirmam que a terra foi declarada propriedade do Estado em 2007. Desde então, o governo teria notificado mais de uma vez os proprietários do centro. Trata-se de um terreno de grande valor, que desperta a cobiça das autoridades do Punjab.

Os críticos observaram uma mudança dramática na política em relação às minorias após a morte do governador do Punjab, Salman Taseer, que foi morto no dia 4 de janeiro de 2011, depois de ter abertamente denunciado a opressão contra as minorias.
 

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