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Padre animador da comunidade missionária - Dom Odilo Pedro Scherer

Por: Família Missionária

Com a recente Carta Pastoral entregue aos padres, mas destinada a todo o povo da Arquidiocese de São Paulo, quisemos destacar o papel importante da paróquia para a renovação missionária da Igreja, hoje muito necessária em toda parte. Sem deixar de cuidar de si mesma e de zelar pelo seu rebanho, a Igreja precisa estar animada por uma forte consciência missionária. Ela é o corpo missionário de Jesus Cristo no meio do mundo: “ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda criatura” (cf Mc 16,15).
 
A paróquia é a expressão mais perceptível da Igreja, onde a comunidade dos fiéis é reunida em torno de Jesus Cristo nas suas muitas formas de presença, sobretudo na Eucaristia, na Palavra de Deus e na vivência da fraternidade; é na paróquia que a vida cristã acontece com pessoas e em situações bem concretas. Por isso mesmo, nós também contamos muito com os párocos para a renovação missionária em toda a nossa Arquidiocese, pois, nas comunidades que lhes foram confiadas, eles são os autênticos formadores, animadores e guias do povo em ordem à vivência cristã e eclesial.
 
Recentemente, a Congregação para o Clero enviou a todas as dioceses uma bela Carta Circular sobre “a identidade missionária do presbítero na Igreja”, como fruto dessa reflexão e preocupação que hoje vai tomando conta de toda a Igreja. Todo sacerdote é um missionário pela própria natureza do ministério recebido. A distinção entre os carismas do pastor e do missionário é apenas sutil e, na prática, os dois carismas são inseparáveis.
 
É bem verdade que Jesus Cristo e o Espírito Santo são os primeiros interessados na vida e na missão da Igreja e, por isso, não lhe deixam faltar os dons para que ela possa cumprir bem sua missão. Mas, por outro lado, Jesus Cristo chamou discípulos e apóstolos, associando-os à sua própria missão e fazendo deles seus colaboradores, confiando à sua responsabilidade a evangelização. Portanto, a vida e a missão da Igreja dependem também de nós e de nosso empenho humano em realizá-la bem.
 
A distinção entre sacerdote missionário e sacerdote “pastor de almas” é possível, mas seria impróprio separar essas duas dimensões do único sacerdócio de Cristo. O carisma missionário do presbítero decorre de sua configuração com Jesus Cristo, Sacerdote, Cabeça e Pastor da Igreja; Ele foi inteiramente missionário do Pai e inteiramente sacerdote e pastor da humanidade. Em nenhum instante, essas três dimensões da identidade messiânica estiveram separadas na pessoa e na ação de Jesus, mas foram conjuntamente a expressão do seu amor total pela humanidade. Assim, também na vida do padre, não pode haver separação entre essas três dimensões; juntas, elas dão expressão à vivência apostólica e à caridade pastoral do padre.
 
Por outro lado, a preocupação com a missão “ad gentes” já não diz mais respeito apenas aos povos distantes e distintos do nosso, supostamente, ainda não atingidos pelo Evangelho. Tais povos certamente ainda existem e devem estar sempre na nossa preocupação missionária. Porém, as “gentes” a serem evangelizadas vivem hoje muito próximas e no meio de nós: são imigrantes e pessoas de convicções religiosas diferentes, que ainda não têm nenhuma relação com a fé cristã; mas também são os muitos batizados e nunca evangelizados, ou os filhos de famílias católicas, que já não foram mais batizados e ficaram deserdados da fé e do patrimônio da vida eclesial. Como seria bom se as paróquias fossem tomadas de um ardor missionário intenso, de maneira a contagiar os já participantes da vida da Igreja com o desejo de levar tantos irmãos para Cristo!
 
A renovação missionária das paróquias, embora precise contar com a dedicação e a coordenação lúcida do padre, também requer um esforço conjunto de muitas pessoas. Será necessária uma profunda tomada de consciência, de todos os paroquianos participativos, sobre a situação em que se encontram as comunidades paroquiais no que se refere ao efetivo alcance da evangelização no seu espaço. Seria interessante ter uma ideia sobre o número de pessoas da paróquia que, de fato, participam das ações eclesiais, como a missa dominical, as pregações em tempos especiais, a confissão, as obras de caridade e solidariedade social... Quantas famílias da paróquia vivem em situação matrimonial regular, batizam os filhos e os encaminham para a catequese? Quantos jovens procuram o matrimônio religioso? Que tipo de iniciativas são desenvolvidas para a formação do povo na fé, ou para a caridade social organizada?
 
Certamente, a vida cristã não se reduz a isso, apenas, mas trata-se de “termômetros” significativos, que permitem ter uma ideia sobre como anda a paróquia e sobre o que precisa ser feito.
O padre, na paróquia, poderá reunir o Conselho Paroquial de Pastoral, as lideranças das pastorais e de outras organizações eclesiais dos leigos e religiosos, que nela houver, para uma boa reflexão e levantamento da situação. Sem esquecer que a ação eclesial não é apenas ação humana, mas deve ser sempre feita confiando na graça de Deus.

 Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo

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