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A beleza de Deus em nós - Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Por: Família Missionária

A beleza que vem do alto. A beleza não tem sido tema de reflexão sobre a espiritualidade. Pouco se fala da beleza como caminho de santidade. Conhecemos o que se diz sobre a beleza da alma pura, a beleza do Céu e da graça. Contudo, Deus não nos fez só puros espíritos, mas um corpo de carne e osso, unido a uma alma. Deus nos fez maravilhosos. O salmo elogia a beleza do rei: “És o mais belo dos filhos dos homens”; Da rainha diz: “Que o rei se apaixone por tua beleza” (Sl 45,3.12). O amor desenha em nós a beleza. Assim, o amor de Cristo pelas pessoas, sua dedicação o coroavam de uma beleza esplendorosa como vimos na Transfiguração. Os discípulos presentes à Transfiguração ficaram encantados com a beleza de Cristo em sua imagem de ressuscitado. A beleza do mundo mostra o quanto Deus é belo.

Podemos rezar: meu Deus bonito! Como seriam Jesus, Maria, José? Não podemos nos fixar em modelos de pinturas. Que podemos imaginá-los? Ele tinha o tipo de seu povo, sofrido como todos os povos, poucas condições de vida, terra de muito sol e trabalho pesado. Ele vivia no sol. Maria, mulher do povo era como as nossas mães. As rugas de Maria, em sua idade madura, estão nas faces de nosso povo. Não a faz feia, a faz amada. Deus usa a beleza para conhecê-lo melhor, assim, a pintura, a escultura, a música, a arquitetura, a dança, o cinema e TV são instrumentos que falam da beleza do Criador. Certamente pensamos no Cristo crucificado, machucado, sujo de sangue não era belo. O profeta Isaias refere-se ao Servo sofredor: “Ele não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, nem formosura capaz de nos deleitar” (Is, 53,2). A beleza é outra: A cruz é o trono do Rei Jesus crucificado. Essa beleza nos santifica e por ela conhecemos a beleza de Deus. Deus nos fez belos. Todas as pessoas são belas. Todo ser, em si mesmo, é belo (omne ens in se pulchrum).

Este é um princípio da filosofia. A beleza que privilegiamos, no momento, é produzida e imposta à pessoa. Todo ser, em toda idade e condição tem uma beleza própria que pode nos encantar e mostrar o rosto de Deus. Temos que fugir dos estereotipos, modelos, padrões de beleza. Na verdade é uma forma de exploração econômica. Essa beleza imposta não enriquece o ser humano. Vemos a beleza do ancião, da criança, do doente, que mesmo desfigurado, traz em si o rosto de Jesus sofredor. Somos convidados a aceitar a própria realidade como o melhor que exista. Certamente podemos cuidar, regular a alimentação, cuidar da saúde, fazer exercícios e cuidar da limpeza. Mas não podemos ir na onda. É bom aproveitar os dons pessoais para o bem. Recuperação da beleza A beleza da pessoa humana está em seu interior alimentado pela da presença divina. Participamos da beleza de Deus: “Foram dadas as preciosas e grandíssimas promessas, a fim de que assim vos tornásseis participantes da natureza divina” (2Pd 1,4). Temos a transparência da graça como uma luz que vem do interior. Que bom se pudéssemos ser atentos a isto. Nossa missão é recuperar a beleza que Deus colocou em cada pessoa como expressão de seu amor e da participação de sua vida. Temos defeitos. Eles não nos fazem piores; são nossa marca registrada. O que nos faz belos é a luta para servir, mesmo sendo fracos, para que Deus transpareça.
 

Pe. Luiz Carlos de Oliveira
Missionário Redentorista

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