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São Paulo e Santa Tecla - Cônego Celso Pedro

Por: Família Missionária

Paulo passou um tempo em Damasco e depois trabalhou na formação da Igreja em Antioquia da Síria. De Antioquia da Síria Paulo foi para Icônio. Algumas pessoas de Icônio ficaram sabendo que Paulo ia passar por lá e foram até a estrada para esperá-lo. Entre essas pessoas estava Onesíforo, que desejava muito hospedar Paulo em sua casa. Paulo não era conhecido em Icônio, mas Tito tinha feito uma descrição do Apóstolo para que pudessem reconhecê-lo. Viram então aproximar-se um homem de pequena estatura, com as sobrancelhas unidas, careca, de pernas arqueadas, de constituição robusta, de olhos encovados e com um grande nariz aquilino. À distância parecia um homem e parecia um anjo.

A família vizinha da casa de Onesíforo tinha uma filha de dezoito anos, jovem aristocrata, chamada Tecla. A janela de sua casa dava para a casa de Onesíforo, onde Paulo pregava. Tecla ouviu uma vez a pregação e sentiu-se atraída pelas palavras de Paulo. Começou então a frequentar a janela. A mãe, Teocléia, e Tamiris, o noivo de Tecla, não gostaram nada do que estava acontecendo, sobretudo porque Paulo ensinava o valor da consagração virginal a Deus. Paulo foi acusado de bruxaria e de pregar contra o casamento e contra os costumes do povo. Foi preso e Tecla o visitou na prisão. Paulo foi expulso da cidade, e Tecla, abandonada pela mãe, foi condenada à morte na fogueira, mas salvou-se milagrosamente. Encontrou-se de novo com Paulo, que estava rezando numa gruta, e manifestou o desejo de segui-lo. Paulo lhe disse: “Seja paciente e você receberá a água”. E a levou para Antioquia da Pisídia. Em Antioquia, um cidadão romano se apaixonou por Tecla.

Como a moça não pretendia mais se casar, surgiram novos conflitos e acusações, e ela foi condenada às feras. Aguardando a organização dos jogos, foi confiada aos cuidados da rainha Trifina, que tentou protegê-la, mas não conseguiu. Antes de ser lançada às feras, Tecla se jogou numa grande poça d’água e exclamou: “Em nome de Jesus Cristo, sou batizada no meu último dia”. Nenhum animal, porém, a tocou e ela foi libertada. O governador, espantado, perguntou quem era ela, e ela respondeu que era “a serva do Deus vivo”.  Acolhida novamente por Trifina, Tecla lhe anunciou a Palavra de Deus. A rainha creu, juntamente com muitas de suas servas.  Encontrando-se mais tarde com Paulo, ela lhe disse: “Recebi o batismo, Paulo. Aquele que trabalhou com você para a Boa Notícia, trabalhou também comigo para que eu fosse batizada”. Reconhecendo então a autenticidade da missão de Tecla, Paulo lhe dise: “Vá, e ensine a Palavra de Deus”. Foi assim que Tecla ensinou a muitos em Selêucia a Palavra de Deus. Na ocasião em que encontrou Paulo, ele estava pregando em Mira, mas ele a mandou de volta para Icônio. Lá ela procurou a casa de Onesíforo, lugar em que tinha encontrado a fé, e cheia de comoção, rezou onde Paulo tinha pregado. Procurou sua mãe e conversou longamente com ela sobre a fé. Tamiris, seu antigo noivo, já tinha morrido. Mudou-se depois para Selêucia, hoje Malula, não sem antes se desfazer de todos os seus bens e de tudo o que tinha recebido de presente da rainha Trifina.

Em Selêucia, retirou-se para o alto de uma montanha, onde fundou um pequeno convento. Já muito idosa, com noventa anos, alguns homens tentaram agredi-la, mas ela desapareceu numa rocha e nunca mais foi vista. Dizem que foi enterrada em Malula e seus restos teriam sido transportados mais tarde para Tarragona, na Espanha. Este relato sobre Paulo e Tecla foi escrito no segundo século, em grego e traduzido para o copta. Foi muito conhecido, o que se constata pelos muitos restos de cópias manuscritas em grego, umas cinqüenta, e em copta. Os Santos Padres chamaram Tecla de mulher apostólica, filha mais velha de Paulo, protomartir entre as mulheres como Estêvão o foi entre os homens.
 

Cônego Celso Pedro

 

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