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Natal em Família - Frei Almir Ribeiro Guimarães

Por: Família Missionária

Nossas famílias andam muito fragilizadas. Tudo se faz  com pressa. Ninguém tem tempo de encontrar ninguém.  Nas famílias mais carentes todos trabalham e estudam, de manhã, à tarde e à noite. E a família precisa reunir-se, seus membros precisam conviver, precisam ter tempo de olhar uns nos olhos dos outros, de tomar juntos um café com leite e um pedaço de pão com geléia.  Marido e mulher não podem viver na loucura da pressa sem a coragem de parar e de estarem um com o outro e com os filhos, ao menos alguns momentos. O tempo do Natal é tempo de encontro.

Não podemos concordar com uma sociedade que resolveu tirar Jesus do Natal. Quando vamos a um desses grandes centros comerciais ficamos encantados com o brilho das decorações, as cores cintilantes e o bom gosto refinado, as temáticas inventadas. Choca-nos, no entanto,  ver que o Menino não está presente. Nossos tempos conseguiram paganizar o Natal!  Na noite santa não será questão de missa, de oração, mas de presentes, comida, conversas banais sem alusão nenhuma ao Deus que teve a vontade e a bondade de vir nascer entre nós.  Nossa sociedade é perversa e má. E as famílias precisam reagir.

No tempo do advento e nos dias do Natal normal que se faça algum encontro em família.  Imagino uns quatro encontros, em cada sábado ou domingo.  Leituras bonitas nos ajudam: Isaías 11, 1-10;  25, 6-10;  9, 1-6.  Claro que será importante ler Lucas  cap. 1-2.  Deixar que as pessoas se exprimam, troquem idéias, rezem  juntas.

Prepara-se bem para o Natal em família quando nos dispomos a visitar os parentes e conhecidos mais envelhecidos e doentes, os vizinhos mais carentes. Não é possível que a família viva numa indiferença total para com as carências dos outros. De que adianta a sala de cheia de caros presentes e  tantos pratos depois da ceia se o coração as pessoas nada tem em comum com Cristo que veio ter com conosco, seres pobres e carentes! Há gestos de caridade a serem colocados, mas não adianta apenas o dinheiro que é dado, mas a presença de alguém que dá seu tempo para o outro e os outros.

Uma família cristã não deixará de participar da Missa da Noite de Natal. Pais que desejam ser catequistas dos filhos, como é sua missão, cuidarão de preparar todos para a Missa do Galo.  A ceia com os parentes, não pode começar de qualquer jeito... O sentido da confraternização precisará ser expresso por um texto, manifestado por uma oração ou simplesmente pela leitura de Lucas  2,1-14.  Ou teremos vergonha de mencionar Cristo? Sentados à mesa da Ceia do Natal pedimos paz e união. O Menino de Belém, na simplicidade do presépio, convoca e reúne os homens e mulheres de boa vontade para a empreitada da construção de uma terra de irmãos.

Não adianta festejar o Natal com presentes ricos ou menos ricos, com ceias frugais quando os que se presenteiam ou participam da ceia apenas se toleram, quando não amam o seu próximo e vivem no mundo do egocentrismo.

Em todos os dias do advento a família deveria rezar uma prece a Maria, aquela que nos deu o Menino.

Fica terminantemente proibido tirar Jesus do Natal e colocar em seu lugar o consumismo, presentes, rabanadas e superficialidade.

Viverão uma bela festa do Natal os que tiverem os sentimentos dos profetas e dos orantes dos salmos:  os que desejarem que a água de Deus venha matar sua sede, os que tiverem fome e sede de Deus. As pessoas que são por demais donas de si mesmas não festejarão o Natal.

Natal é manifestação de um Deus que se torna pobreza. O Deus grande se torna uma criança indefesa para nos ensinar que o caminho que leva às alturas é o da pobreza.  Fazendo seu presépio em Greccio, São Francisco de Assis dizia:  “Quero evocar a lembrança do menino que nasceu em Belém e de todos os incômodos que sofreu desde a sua infância; quero vê-lo tal qual era, deitado numa manjedoura e dormindo sobre o feno, entre um boi e um burro”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

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