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Carta aos Leigos da Arquidiocese de São Paulo - Dom Odilo P. Scherer

Por: Família Missionária

Carta aos Leigos da Arquidiocese de São Paulo

São Paulo, 29.06.2011
 
Estimados leigos e leigas
  
Estou muito feliz ao constatar o entusiasmo de muitos de vocês com a realização do 1º Congresso de Leigos da nossa Arquidiocese. Tenho muita esperança que os frutos serão abundantes, com a graça de Deus!  Por isso, quero encorajar a todos a prosseguirem nos passos e nas atividades propostas, tendo sempre em vista os grandes objetivos do Congresso: Uma nova tomada sobre a vocação dos cristãos leigos, seu lugar e sua participação na vida e na missão da Igreja. Lembrem sempre: vocês são a presença da Igreja “fora da igreja”, ou seja, no vasto mundo das organizações da sociedade, das profissões e das responsabilidades públicas. Ali, mais que tudo, Cristo os envia a serem seus “discípulos missionários na cidade de São Paulo”;  na sociedade, vocês são o sal da terra, a “luz do mundo, o fermento na massa e as testemunhas do Evangelho de Cristo.
 
A primeira etapa do Congresso, que previa o envolvimento amplo nessa reflexão dos leigos nas organizações de base da Igreja (paróquias, pequenas comunidades, pastorais, associações, movimentos, grupos diversos, “comunidades novas”, leigos relacionados com as comunidades religiosas, escolas católicas e outras instituições da Igreja) chegou ao seu término. No entanto, onde os encontros ainda não estiverem concluídos, eles podem continuar acontecendo, mesmo até o final do Congresso. Seria bom se os grupos que se organizaram nesta etapa pudessem continuar a se encontrar, mesmo depois do Congresso.
 
E agora vai deslanchando a segunda fase do Congresso, através das oficinas temáticas realizadas nas Regiões Episcopais, com a participação dos “delegados” dos grupos acima mencionados. A proposta, agora, é refletir sobre aspectos mais específicos do envolvimento dos leigos na vida e na missão da Igreja, para chegar à elaboração de “propostas missionárias” concretas para o laicato na Arquidiocese e na cidade de São Paulo. Esta etapa culmina com os Congressos Regionais, propriamente ditos, no dia 28 de agosto próximo. Faço votos que sejam momentos muito enriquecedores para os participantes.
 
Nesta etapa do Congresso, desejo compartilhar com vocês algumas reflexões sobre a missão da Igreja; parece-me importante fazê-lo e sugiro que vocês possam ler esta carta em seus grupos e refletir sobre ela. A Igreja é a comunidade de todos os batizados, reunidos na comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, na qual existem dons e carismas diversos, mas todos estão ordenados ao bem de toda a comunidade e à realização da vida e da missão da Igreja. A razão de existir da Igreja de Cristo é a evangelização, como disse o papa Paulo VI na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi. Esta é a sua missão e foi isso que Jesus chamou os apóstolos, comunicou-lhes o Evangelho e enriqueceu-os com os dons do Espírito Santo; foi isso que lhes pediu, quando os enviou a todos os povos e a toda criatura: “ide... proclamai o Evangelho”.
 
É isso mesmo que Jesus Cristo, Senhor da Igreja, continua a nos pedir neste início do século XXI e no contexto da cidade de São Paulo, complexa e desafiadora, mas também vibrante e rica de oportunidades para a comunidade daqueles que Jesus Cristo aqui reuniu, santificou e enviou. Esta missão tem basicamente 4 aspectos complementares, como recordam as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, da CNBB: O serviço ao próximo em nome de Cristo; o diálogo com todos, para a aproximação respeitosa, a busca da verdade e a promoção da convivência fraterna; o anúncio explícito da Palavra de Deus; o testemunho de comunhão, para manifestar a vida nova do Evangelho. A evangelização se expressa nessas 4 dimensões da vida da Igreja.
 
A missão envolve todos os membros da Igreja e é sempre importante refletir sobre ela, para mantermos clara a consciência daquilo que somos, como cristãos e como membros da Igreja: Somos evangelizadores. Ou então, na expressão adotada pela Conferência de Aparecida: Somos discípulos missionários de Jesus Cristo. Os filhos da Igreja, congregados em torno de Cristo, recebem dele e acolhem com alegria os dons da salvação para viver deles e para se lançar para o meio do mundo, indo ao encontro dos povos, dos outros irmãos, compartilhando com eles os dons da salvação. E a todos, ela deve anunciar que o Reino de Deus está já chegou, acolhendo, ela própria, esta Boa Notícia com alegria e dando testemunho das realidades do Reino de Deus.
 
A Conferência de Aparecida convoca cada comunidade e a todos nós, batizados, a realizarmos um processo de “conversão pastoral”, passando de uma pastoral de conservação para uma pastoral decididamente missionária. Isso significa que não devemos contentar-nos em ter encontrado, para nós, a alegria da fé e a beleza da vida cristã, mas que devemos ter o desejo e a preocupação de compartilhar isso com os outros: É bom ser cristãos católicos! E pode ser bom também para os outros! O chamado a ser evangelizadores vale para todos os batizados: Para os leigos, os consagrados à Vida Religiosa e para os ministros ordenados, que têm a especial missão de formar, animar e conduzir toda a sua comunidade na missão evangelizadora.
 
O processo da evangelização, por sua vez, pode ser resumido em três passos essenciais: Encontrar Jesus Cristo; seguir Jesus no caminho; anunciar Jesus aos outros. A vida cristã começa com o encontro com Cristo; normalmente, alguém ajuda para que isso aconteça e leva ao encontro com Cristo, aponta para Ele e abre indica o caminho para que leva a Ele. Será sempre alguém que já O conhece e está entusiasmado por Ele, sendo capaz de interessar outros também, testemunhando, como os apóstolos: “Encontramos o Senhor!” Ou então: “vem e vê! Só Ele tem palavras de vida eterna!” Ou ainda: “Ele é o caminho, a verdade e a vida!” O encontro com Jesus é proporcionado de muitas maneiras e representa, no itinerário da evangelização, a iniciação à vida cristã e a descoberta da fé e da vida da Igreja. Aqui têm papel importante os pais, os catequistas, os colegas, os testemunhas... E o Espírito Santo não deixa de fazer a parte dele.
 
O segundo passo é o seguimento de Jesus. A vida cristã não é apenas feita de conhecimentos, mas é adesão à pessoa de Cristo e, por meio dele, adesão a Deus, no dom do Espírito Santo. O seguimento de Cristo pelo caminho acontece na prática diária da vida cristã, na vida moral coerente com o Evangelho e os mandamentos da Lei de Deus e o cultivo da amizade e da comunhão com Deus. Aqui precisamos entender que a verdadeira religião vai além da busca de vantagens ocasionais, em momentos de necessidade pessoal, mas consiste na adesão pessoal a Deus, por meio de Jesus Cristo; a vida inteira será, pois, marcada por esse “seguir Jesus pelo caminho”, para que nossa existência e nossa conduta pessoal seja coerente com Aquele que nos chamou e nos ama.
 
O terceiro passo do processo de evangelização é o anúncio de Jesus Cristo aos outros, de muitos modos. O cristão, discípulo de Cristo, só é adulto quando se coloca a serviço do anúncio da Boa Nova para os outros. Quem conheceu o amor de Cristo, não deixará de falar dele aos outros, a exemplo de Paulo, que dizia: Ele me amou e por mim se entregou... Agora faço de tudo para ver se consigo ganhar alguns para Cristo. Nós precisamos perder o medo de falar de nossa fé e de nossa Igreja aos outros. Precisamos, sem dúvida, conhecer mais nossa fé e também a nossa Igreja. Ninguém ama o que não conhece; e nós temos tantas coisas bonitas na nossa fé e na Igreja!
 
Ser cristão católico é uma graça muito grande! É ter parte na “herança apostólica” e estar na Igreja que permaneceu até hoje na “doutrina dos apóstolos”. É ser membro dessa mesma família espiritual, congregada em nome da Trindade Santa, da qual também são membros tantos santos, mártires, místicos, teólogos, missionários... Estamos em boa companhia, com aqueles que viveram esta mesma fé, antes de nós, e a transmitiram de geração em geração, até chegar a nós! Estamos na companhia dos Apóstolos, da Virgem Maria e de seu esposo São José, que “viram Jesus” e nos contaram! E também dos grandes São Bento, S.Agostinho, São Boaventura, São Tomás de Aquino, Santo Antônio, Santa Teresinha, São João Bosco e de uma miríade incontável de irmãos que viveram exemplarmente o seguimento de Jesus ao longo da história bimilenar da Igreja!
 
Também em São Paulo, que nasceu em torno da Igreja e de um colégio católico... Aqui viveram e trabalharam pela Igreja, antes de nós, santos missionários, como Anchieta e Nóbrega, Frei Galvão, Madre Paulina e Padre Mariano de la Mata e tantos outros, cujos nomes estão anotados no Livro da Vida. Aqui Deus nos chama a viver a nossa fé cristã e a testemunhar a presença do seu reino. Tenhamos, portanto, ânimo e coragem para fazer a nossa parte na vida e na missão da Igreja. Somos privilegiados por viver numa época em que a Igreja toma nova consciência de sua natureza missionária e tenta traduzir esta consciência em novas propostas de ação.
 
Desejo, portanto, que as reflexões nas oficinas temáticas ajudem a perceber o chamado de Deus a viver e testemunhar a fé nos diferentes ambientes onde Deus os chamou e enviou, enquanto leigos. Tenham a certeza de que a contribuição dos católicos, inspirados e motivados pela sua fé, é muito importante para a vida da cidade e para a formação da cultura deste imenso povo.
 
Deus os abençoe e ilumine! Os apóstolos Pero e Paulo cujo martírio recordamos, sejam exemplos estimulantes para vocês! Nossos santos “paulistanos”, Padre Anchieta, Madre paulina, Frei Galvão e Padre Mariano, intercedam por todos!
 
Card. D.Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo
São Paulo 29.06.2011

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