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Cruzes que salvam - Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Por: Família Missionária

Estamos sempre nos perguntando pelo sentido da dor, do sofrimento e da morte. Estranhamos o sofrimento de crianças e de pessoas boas.  De outra parte, vemos pessoas que consideramos más que estão ótimas e vendendo saúde. Isso nos incomoda muito. Não podemos dizer que Deus manda o sofrimento para a pessoa. Deus, absolutamente, não quer que ninguém sofra.
 
Deus não desconta nossos pecados em nosso corpo. Deus nos ama. A dor, a morte, a doença vem de onde? De nós mesmos ou são provocadas pelos outros pelas opções que fazemos. Por isso dizemos que são frutos do pecado. Se eu deixar que as más tendências atuem, provocamos males que tem seus preços (1Tm 6,10).
 
Olhando pela fé cristã, o sofrimento tem sentido, pois Cristo sofreu os mesmos males que sofremos (Hb 4,15), pior ainda, as dores da Paixão. Ele assumiu nossas dores e por suas chagas formos curados (1Pd 2,24). Cristo não teve pecado, mas carregou nossos pecados (1Pd 2,24), e se fez pecado (2Cor 5,21), quer dizer, assumiu todo o pecado do mundo (1Pd 2,24) e redimiu a humanidade pregando na cruz o decreto de condenação que estava destinado a nós (Cl 2,14).
 
O sofrimento vem da nossa fragilidade. Não podemos dizer que o sofrimento é fruto de um pecado. Nossa natureza é frágil e aos poucos vai dando sinais de insuficiência. Mas é de fundamental importância unir nossos sofrimentos aos de Cristo para que eles também sejam redentores. O sofrimento do cristão deve ser visto na sua condição humana, e também como participação do Mistério Pascal de Cristo que é Paixão, Morte e ressurreição.
 
 Estive doente (Mt 25,36)
 
A doença está sempre presente em nossas vidas. Ela mostra a fragilidade do ser humano. Desejamos viver sem problemas e para sempre perfeitos. Não acontece. A natureza humana é frágil. Graças a Deus e a ciência que evolui, temos melhores condições e meios para superar muitas doenças. Um dia passamos por ela. Quando não são as dores físicas são as psicológicas e mesmo as espirituais. O que nos interessa agora é contemplar a doença dentro da visão da fé cristã. Não são castigos por males e nem outros tem poder de nos tornar doentes. Isso não faz parte da fé. Ouvimos que “alguém fez um trabalho”.
 
Acreditar nisso é muito primário. Temos que procurar o recurso, organizar meios de ajudar os outros e sobretudo criar ambiente na comunidade para dar presença aos doentes. É um bom remédio. Serve para nossa santificação quando sofremos unidos a Jesus. Aí sim, ela se torna redentora. Esta é a vontade de Deus. Mesmo na dor estar unido a Deus.
 
Com Ele morremos e viveremos (Rm 6,8)
 
Temos uma certeza: vamos morrer! A morte faz parte da vida. Quanto mais entendemos que ela faz parte da vida, mais intensamente podemos viver. Por isso, quanto mais colocarmos a morte em nossa vida, mais teremos a vida na morte. Isto quer dizer: o fim de nossa vida deve orientar o que fazemos. Lemos em Eclesiástico: “Pensa no teu fim e não pecarás” (Ecl 7,36), isto é, viverás!. A morte estimula a vivermos bem porque a vida continua após a morte. Se vivermos mal, não construímos a Vida. Ela será sempre uma surpresa. Estar preparado é viver bem. Não viver bem, a morte é uma desilusão. Viver bem, ela é o encontro com o Pai.
 
Estes assuntos são difíceis que pois exigem a fé madura e uma vida unida a Cristo. Jesus se preocupou com os doentes, consolou os sofredores, chorou os mortos e os ressuscitou. É isso que faz conosco.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira
Redentorista

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