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Tudo o que nasce, morre! - Dom Redovino Rizzardo

Por: Família Missionária

Pode ser que o meu artigo – “Se existe o mal, existe Deus?” – tenha colocado alguns leitores em crise, e eles continuem se perguntando: «Se Deus é bom, se é todo-poderoso, se, por seis vezes, a Bíblia garante que, ao criar o mundo, ele “viu que tudo era bom” (Gn 1,10.12.18.21.25.31), por que, logo depois, “a maldade humana crescia em toda a parte e ele se arrependeu de ter criado o homem”?» (5,5-6).

Como fizemos no artigo anterior, para uma tentativa de resposta – porque a resposta completa só obteremos no paraíso –, também desta vez recorremos aos livros do teólogo espanhol, Pe. Andrés Torres Queiruga: “Um Deus para hoje” e “Repensar o mal”.

Primeiramente, importa lembrar que tudo o que nasce, morre! Ou seja, por mais perfeitos que sejam o ser humano e tudo o que o cosmos encerra, são sempre contingentes, sujeitos aos percalços de qualquer criatura. Se Deus criasse algo idêntico a si em perfeição, o que resultaria seria o panteísmo, onde a natureza se confunde com a divindade.

É o que tenta explicar o Pe. Queiruga: «O descobrimento da autonomia das realidades mundanas, ao mostrar sua consistência, mostra também o cunho infranqueável de seus limites, o caráter estritamente inevitável do mal no seio de um mundo finito. Um mundo em evolução não pode realizar-se sem choques e catástrofes; uma vida limitada não pode escapar ao conflito, à dor e à morte; uma liberdade finita não pode excluir a situação-limite da falha e da culpa. Dada a sua decisão de criar, Deus “não pode” evitar essas consequências na criatura, porque equivaleria a anular com uma mão o que teria criado com a outra. Isso não vai contra sua onipotência real e verdadeira, porque, falando com propriedade, não é que Deus “não possa” criar e manter um mundo sem mal; é que isso “não é possível”: seria tão contraditório como fazer um círculo quadrado».

Se essa é a dinâmica do amor de Deus, qual a atitude que o Pe. Andrés pede aos cristãos? «Urge, portanto, tirar com todo o rigor a consequência justa, que consiste em dar reviravolta radical à compreensão. Um Deus que cria por amor, é evidente que quer o bem – e só o bem – para suas criaturas. O mal, em todas as suas formas, é precisamente o que se lhes opõe da mesma forma a ele e a elas. Existe porque é inevitável, tanto física como moralmente, nas condições de um mundo finito e de uma liberdade limitada. Por isso, não se deve jamais dizer que Deus manda ou permite o mal, mas que o sofre e o padece como frustração da obra de seu amor em nós». A alegria de quem vive a fé é saber que Deus é maior do que o mal e o pecado, e se serve da própria fraqueza humana para realizar as suas maravilhas: «Felizmente, o mal não é um absoluto. Podemos e devemos lutar contra ele, sabendo que Deus está ao nosso lado, limitando-o e superando-o no possível já agora, dentro dos limites da história, e assegurando-nos o triunfo definitivo quando se romperão esses limites pela morte. Por isso, em elementar rigor teológico, não tem sentido que “peçamos” ou tentemos “convencer” a Deus para que nos livre de nossos males. Pelo contrário, ele é o primeiro a lutar contra eles e é ele quem nos chama e “suplica” que colaboremos com essa sua luta».

O Pe. Queiruga inicia o seu volume “Um Deus para hoje” com estas palavras: «Dize-me como é teu Deus, e dir-te-ei como é tua visão do mundo; dize-me como é tua visão do mundo, e dir-te-ei como é teu Deus». Assim sendo, ele conclui: «Esta é a imagem de Deus que os cristãos e as cristãs atuais devemos gravar em nosso coração e transmitir aos outros: não um Deus que, podendo livrar-nos do mal, não o faz, ou o faz somente às vezes, ou em favor de uns quantos privilegiados, mas um Deus solidário conosco até o sangue de seu Filho, que sofre conosco e nos compreende. Só por ter-se mantido, sem corrigir-se a tempo, a falsa imagem de uma onipotência arbitrária, puderam alguns crentes pensar que, depois de Auschwitz era impossível orar. Pelo contrário, a partir do Deus vivo e verdadeiro compreendemos que só a fé em Deus é capaz de manter viva a esperança das vítimas dentro do terror brutal da história».

Talvez tenha sido essa a intuição da CNBB, ao afirmar, no dia 11 de fevereiro de 2013, que «Bento XVI entrará para a história como o “Papa do Deus Pequeno”».

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