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Parábola do filho pródigo - Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

Por: Família Missionária

Uma das mais belas passagens do Evangelho sobre o rosto de Deus é a parábola do filho pródigo. Ela descreve, em detalhes, a conduta de dois filhos e o sentimento do pai em relação a cada um deles. O intuito de Jesus é revelar Deus como o Pai misericordioso, solícito e pronto a perdoar e a acolher em sua inesgotável bondade os pecadores arrependidos.

À atitude amorosa do pai opõe-se a reação áspera e egoísta do irmão mais velho. Para este, sua misericórdia é incompreensível. Mas o pai, apesar de o filho mais jovem ter esbanjado o dinheiro dado por ele, dedica-lhe um amor inquebrantável e generoso. Longe, em terras estrangeiras, o filho não deixa de sentir as marcas do amor do pai, presentes em seu coração. Humilhado, mas arrependido, ele retorna à casa paterna, decidido a declarar sua culpa. A solicitude do Pai, sua bondade incansável, confunde até mesmo o filho mais velho, que voltava do trabalho. O filho pródigo, ainda distante, vislumbra o vulto do pai, que ao percebê-lo corre ao seu encontro. A emoção do filho é enorme. A caminho da casa paterna, tantas ideias tinham passado por sua cabeça. Imaginava declarar sua culpa, pedir perdão, prostrar-se aos pés de seu pai. O pai não quer moralizar ou prescrever modos de agir. Ele simplesmente o acolhe. O filho não consegue nem mesmo chegar ao final de suas primeiras palavras, previamente preparadas. O amor carinhoso do pai o envolve. Pois “ao vê-lo, ele se encheu de compaixão e se lançou ao seu pescoço, cobrindo-o de beijos”.

O perdão é tão evidente, que o pai não necessita dizer nada. Suas ações falam mais alto e claramente. Ele manda revesti-lo de roupas bonitas, coloca o anel em seu dedo, manda preparar um banquete em sua honra. Proclama a vida digna e alegre de alguém que retorna ao lar. Escreve S. Cirilo de Alexandria: “Jesus deseja trazer alegria aos fariseus, que foram chamados ao arrependimento, ainda que tenham tido uma má reputação. Exorta-os a não alimentar odiosa irritação contra seus coirmãos”. 

Na parábola, em sua inesgotável paciência e bondade, o pai é figura da infinita misericórdia do Pai celestial. Realiza-se o desígnio divino, independente do pecado dos homens, seja ele infiel, como o filho pródigo, ou egoísta, como o filho mais velho. Na acolhida, que lhe é dada, o filho mais jovem toma consciência do privilégio de ser membro daquela família. S. Gregório Magno, considerando a atitude dos filhos, como opções oferecidas à nossa liberdade, comenta: “Podemos cair, pelo excesso de desejos e preocupações, abaixo de nós mesmos ou sermos elevados acima de nós, pela graça da contemplação do Pai”.

A atitude do pai nos enternece. Diariamente, ele perscrutava o horizonte, esperando pelo filho. Vendo-o, vai ao seu encontro, abraça-o e o reconduz ao aconchego do lar. Alegra-se, “porque seu filho perdido e reencontrado se tornava mais querido, pois reencontrado. Um pai, mais pai que Deus, não há; um mais terno, não há. Tu que és seu filho, saibas que mesmo após ter ele te adotado, se tu o abandonas e voltas nu, ele te receberá: ele se alegrará ao te rever” (Tertuliano).

 

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