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Alegria da misericórdia - Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa

Por: Família Missionária

Ao ler mais uma vez a parábola do filho pródigo, eu pensava que é verdadeiramente justa a ira de Deus para com os pecadores e que é mais fácil entender a justiça que a misericórdia. Que o leitor não se escandalize com este padre! Vou tentar me explicar. Você assistiu ao filme “Seqüestro do metrô 123”? É um filme de ação dirigido por Tony Scott: quatro homens seqüestram um metrô e um deles à cabeça vai negociando com as autoridades uma quantidade de dinheiro bastante considerável para não continuar matando os reféns.

O seqüestrador principal, que parece um autêntico psicopata e sem dúvida um desequilibrado mental, ao negociar por telefone encontra num dos controladores do metrô uma pessoa simpática com quem conversar. Neste diálogo há um momento em que o seqüestrador de alguma maneira acaba professando-se católico. Nesse interessante diálogo, o controlador, ao outro lado da linha, lhe diz que um católico não pode matar, muito menos a pessoas inocentes como aquelas que estavam no metrô, seus reféns. O seqüestrador lhe diz uma frase rotunda, mas verdadeira: “o que o católico sabe é que ninguém é inocente”. 

Excetuando Jesus e Nossa Senhora, ninguém é inocente! Por outro lado, é lógico: ao culpado se aplica uma pena! Isso não é muito difícil de entender. Outro exemplo: já pensou se um dia, num determinado momento, os órgãos da justiça e os policiais, num arrebato de misericórdia, resolvessem soltar todos os presos, muito deles ladrões e assassinos? Tenho certeza que a outra parte da sociedade se levantaria indignada entre protestos e diria que a justiça ficou louca. Produzir-se-ia um medo geral e nem quereríamos sair às ruas. Ficaríamos com a sensação de que a qualquer momento alguém poderia roubar-nos ou matar-nos. Não é muito mais fácil compreender que os presos fiquem na cadeia pagando o que devem? Efetivamente, a justiça é mais compreensível que a misericórdia!

O capítulo quinze do Evangelho segundo São Lucas contêm três parábolas chamadas “da misericórdia”: a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho perdido. Tudo perdido! Mas, se invertemos o quadro temos o bom pastor que busca a ovelha, a boa mulher que busca a sua moeda e o bom pai que espera e ama o seu filho pródigo. Tanto o pastor quanto a mulher têm umas atitudes que não são nada comuns, o mesmo diga-se do pai do filho pródigo. Nem naqueles tempos nem hoje em dia se atuaria dessa maneira! Pense comigo: se você fosse um pastor e tivesse cem ovelhas, delas perdesse somente uma, será que deixaria as noventa nove sozinhas, com perigo de perderem-se, para procurar somente aquela desgarrada? Será que é lógico deixar noventa e nove ovelhas sozinhas e procurar somente uma? Eu pelo menos deixaria a pobre ovelha pra lá, não correria o risco de perder noventa e nove ovelhinhas por causa de uma ovelha boba. E se você tivesse dez moedas e perdesse uma, faria como aquela mulher da parábola: acenderia a luz, varreria a casa colocando-a quase de cabeça para baixo para encontrar a única moedinha perdida? Como se não bastasse: convidaria os amigos para dar uma notícia tão efêmera como essa do encontro de uma mísera moeda? Eu pelo menos não atuaria assim!

Por último, no texto do Evangelho de hoje aparece um filho que pede a parte da herança, gasta com prostitutas e depois se apresenta ao seu pai como culpado. O pai, ao encontrá-lo, o festeja, o presenteia e faz uma festa para ele… Esse pai está louco! No fundo, dá vontade de ver esse filho malandro levar uma boa surra do pai. Não sei se você estará de acordo comigo, querido leitor, mas não é difícil entender que um bom pai corrija com fortaleza um erro cometido por um filho seu. Realmente, é mais compreensível que uma só ovelha se perda que correr o risco de perder as noventa e nove; é mais lógico deixar uma moeda pra lá que revirar a casa por uma só moedinha e depois – e isso é o cúmulo – convidar os amigos, fazer uma festa e gastar mais do que vale a moeda encontrada; é mais fácil entender que o pai desse uma bronca naquele filho sem-vergonha. Enfim, é mais fácil compreender a justiça que a misericórdia!

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