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Bendito o que vem em nome do Senhor - Dom Murilo S.R. Krieger

Por: Família Missionária

É comum vivermos momentos que, mais tarde, se revelam históricos. É o que acontece, por exemplo, quando perdemos uma pessoa que nos é muito querida. Ao recebermos a inesperada notícia de seu falecimento, nos recordamos do último encontro que tivemos com ela, das últimas palavras que nos dirigiu, do último pedido que nos fez. Assim, um momento que seria semelhante a muitos outros, e que facilmente cairia no esquecimento, passa a ter para nós um valor inestimável. Em outras oportunidades, temos a consciência clara de viver um momento que é histórico e que se tornará ponto de referência em nossa vida e nos acontecimentos do mundo. Foi essa a minha sensação na última quarta-feira, dia 13 de março de 2013, às 15h06min, quando, pela televisão, vi a fumaça branca saindo da chaminé da Capela Sistina. Penso que não foi diferente a sensação experimentada por milhões de pessoas ao redor do mundo. Cada uma delas teria condições de testemunhar a emoção que tomou conta de seu coração, os pensamentos que teve e as palavras que alguém, a seu lado, pronunciou.

O que me marcou, naquele momento, foi a situação em que me vi envolvido. Tinha a impressão de me encontrar também na Praça de S. Pedro, aclamando, cantando e rezando com a multidão que ali estava. Curiosamente, aclamava-se um Papa que ainda não tinha nem rosto nem nome, mas que era acolhido simplesmente por ser o novo sucessor de Pedro. Era como se todos gritassem juntos, para que o mundo todo pudesse ouvir: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” Sim, como vem em nome do Senhor, é bendito – e aqui reproduzo o que disse para os ouvintes da Rádio Excelsior, pouco antes do anúncio do nome: “Não importa se o Papa já eleito é brasileiro ou nigeriano, se é italiano ou indiano, nós o acolhemos com alegria!” Confesso que não pensei na possibilidade de um Papa argentino, de um Papa jesuíta ou de um Papa que assumisse o nome de Francisco. Se não me engano, é do Cardeal Suehnens (belga, falecido em 1997) a frase: “Eu me maravilho com as surpresas do Espírito Santo!” Eu também!

As surpresas daquela tarde histórica não pararam por aí. De repente, surgiu no balcão da Basílica de S. Pedro um homem que logo encantou a todos pela sua simplicidade. Imóvel diante da multidão, parecia que novo Papa se perguntava: “Como é que vim parar aqui?...” Logo depois, com uma singeleza encantadora, dirigiu as primeiras palavras para quem estava ali, diante dele, e para o mundo, que o acompanhava atento. Sua maior mensagem, contudo, não foi transmitida por palavras, mas por seu gesto de pedir que todos rezassem por ele. Dito isso, se inclinou e fez-se silêncio. Sei o que significa um momento como esse, pois o vivi durante a Jornada Mundial da Juventude, em Madri, em agosto de 2011. Na noite de sábado, o então Papa Bento XVI pediu à multidão de jovens – cerca de dois milhões e meio – que por uns momentos rezassem em silêncio. Que experiência! Como o silêncio “fala” – melhor: grita! Dessa vez, na Praça S. Pedro, não deve ter sido diferente. O silêncio que se fez era uma nova ocasião para todos repetirem, no coração: “Bendito o que vem em nome do Senhor!”

Ninguém espere que o Papa Francisco apresente um programa de governo. Afinal, como seus próprios familiares testemunharam, ele não esperava e não desejava ser Papa. Aceitou o cargo e missão levado pelas convicções que alimentou ao longo de sua vida e que foram sintetizadas na homilia que fez aos Cardeais, no encerramento do Conclave: “O mesmo Pedro que testemunhou quem era Jesus Cristo, lhe disse: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo. Eu te sigo, mas não falemos de Cruz. Isso não interessa. Te sigo em outras circunstâncias, mas sem a Cruz. Quando caminhamos sem a Cruz, quando edificamos sem a Cruz e quando confessamos um Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor!”

“Bendito o que vem em nome do Senhor!”, repetimos nós. Em resposta, o Papa Francisco já está nos dizendo, de vários modos: “Benditos os que se dispõem a acompanhar o meu ministério com suas orações!”

 

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