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O caminho das pedras - Antonio Geraldo Wolff

Por: Família Missionária

Não existe quem não conheça essa expressão. Hoje em dia, quer na sobrevivência da vida pessoal como nos melhores ou piores momentos da vida profissional, é absolutamente necessário conhecermos o caminho das pedras. Mas, o que quer dizer isso? Não custa nada relembrar de onde  surgiu  e como podemos  utilizar essa expressão sem distorcer seu significado. Há uma    passagem bíblica que  nos conta que no meio de uma grande tempestade o mar estava furioso e Pedro e os demais apóstolos estavam num de seus barcos  de  pesca.  Jesus estava em terra e  dirigiu-se para o barco  onde estavam seus apóstolos, andando sobre as águas.  Os apóstolos  quando viram aquele vulto flutuando sobre as águas ficaram temerosos e indagaram quem era. Jesus então lhes falou, sou Eu.  Todos duvidaram e Pedro perguntou: Se és Tu Mestre,  faz-me chegar até Ti.

E em seguida saltou do barco e começou a andar sobre as águas em direção a Jesus, mas conforme  caminhava ia afundando. Jesus então adiantou-se até Pedro, segurou-o pela mão e disse-lhe: “Pedro, você precisa aprender o caminho das pedras...” (parafraseando o texto de Marcos).Logicamente  a alusão a essa passagem  copiada do livro mais importante da história da humanidade nada mais representa do que  nos indicar que a experiência  e a sabedoria  (além da fé , lógico),  é  que  nos orienta a seguir   o caminho para que consigamos ver e andar sobre as pedras
 

Qual a correlação disso com a nossa vida pessoal? Isso quer dizer que estamos vivendo um momento em que trocamos experiência, vivência e conhecimento por potencial, habilidades, energia, disponibilidade, formação e principalmente teorias. Bem sabemos que certamente isso não está totalmente errado, apenas o exagero e o excesso é que preocupam sobremaneira. Quantos empregos que não estão sendo extintos e pessoas experientes e com larga vivência não estão ficando alijadas da vida profissional por que atingiram idades consideradas acima no mínimo exigido.  Como será que construiremos o futuro somente com disposição, juventude e escolaridade? Mas isso está acontecendo em todos os seguimentos da sociedade. Não estamos tratando do assunto de forma a privilegiar simplesmente os jovens, estamos tratando o assunto de forma a friamente crucificar os mais velhos e, o pior,  “velhos” que atingem a casa dos quarenta anos que, como dizia minha avó, é quando a vida se inicia. 
 

Tenho assistido a situações muitas vezes cruéis e por vezes chocante. Os jovens necessitam  e muito de trabalho. Temos que forjar essa juventude no trabalho e nos estudos, mas não podemos de forma nenhuma fazer com  que aqueles que construíram tudo aquilo que temos até hoje fiquem à margem e sejam expurgados. Dentro dessa premissa , bem sabemos que o nosso governo tem uma parcela de culpa e muito grande. Um país que não cuida bem das crianças que representam o seu futuro, com certeza não cuidará dos velhos que só lhe dará trabalho e despesas. Para que isso seja comprovado, é só analisar o que está ocorrendo com a previdência social onde  poucos  se aproveitam da fragilidade da grande maioria e usam e  abusam,  transformando o que deveria ser uma tranqüilidade para o fim dos nossos dias em verdadeiro pesadelo para cada dia que passa e que nos aproximamos da aposentadoria.
 

O caminho das pedras é a forma mais coerente de expressarmos a realidade e a diferença que existe entre as opostas situações. Se por um  lado o mundo da globalização exige que tenhamos qualificação e preparo técnico, aliados a ousadia e dinamismo, por outro lado, isso tudo sozinho não tem substância, há que se ingerir nisso as formas de aplicabilidade e prática. A união dessas duas figuras que por vezes se apresentam antagônicas é sem dúvida alguma a experiência, mesmo porque ousadia não tem idade.  Qualquer jovem tem hoje competência para exercer funções e cargos da mais  alta e importante  envergadura, falta-lhe apenas a experiência. Falta-lhe apenas saber caminhar sobre as águas. Falta-lhe apenas conhecer o caminho das pedras. 
 

Já estamos assistindo a inúmeras situações em que o retorno aos métodos tradicionais se faz necessário em meio a experiências desastrosas de terceirizações mal sucedidas. Em outras oportunidades vemos empresas contratando profissionais “maduros” pois não lograram êxito na contratação de jovens potenciais e  sem experiência. Isso nos faz concluir que por mais que queiramos correr contra o tempo, fazer tudo mais rápido, com mais eficiência, mais eficácia, melhor que os outros, não devemos esquecer que o dia tem vinte e quatro horas, o mês trinta dias e o ano trezentos e sessenta
 

 Infelizmente, a verdade tem sido muito cruel. Confundimos idade cronológica com experiência de vida. Essas duas realidades só caminham juntas, elas não se interdependem, apenas se complementam. Hoje, os jovens não dão mais o valor que anteriormente se dava às histórias que nossos pais e avós contavam. Essas histórias refletiam em nós uma visão de sabedoria que só a vida poderia acumular. Refletia em nós o valor do saber vivendo e aprendendo, isso refletia nas pessoas a necessidade da busca do conhecimento e de experiências. Hoje, os jovens não querem mais ouvir histórias que a eles aparentemente nada acrescentam. A velocidade da informação é rápida demais para perderem tempo com coisas passadas. Os jovens não querem mais ouvir os mais velhos. Todos sabemos que os tempos mudaram, mas os grandes revolucionários das décadas de 50, 60 ou 70 estão entre nós praticando tudo igualzinho àquilo que na época criticavam. Eles possuíam ideais revolucionários, temperamentos irreverentes, pregavam a liberdade e propunham a igualdade. Eles não conheciam o caminho das pedras, só lhes faltavam viver, crescer, amadurecer. É só vivendo e aprendendo que conseguimos enxergar o caminho das pedras para  não tropeçarmos  nas pedras que são colocadas ao longo  no nosso caminho. 
 

Antonio Geraldo Wolff - Consultor em Recursos Humanos       

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