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Advento, de esperança em esperança

Por: Família Missionária

No sábado passado, dia 27 de novembro, a Arquidiocese de São Paulo reuniu-se em torno do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, seu arcebispo emérito, para dar graças a Deus pelo jubileu de sua ordenação sacerdotal, acontecida em 30 de novembro de 1945. Já foram 65 anos de ministério sacerdotal, exercido em favor do Povo de Deus, sobretudo como arcebispo de São Paulo. O povo encheu a Catedral da Sé e teve a ocasião de ver e ouvir novamente dom Paulo, de sentir seu entusiasmo e de recordar muito do bem realizado por ele no seu já longo e generoso serviço sacerdotal.
 

O lema episcopal de dom Paulo – ex spe in spem (“de esperança em esperança”) marcou o exercício do seu ministério; mesmo em tempos difíceis, animado pela esperança, ele continuou firme na promoção daquilo que a fé ensina e o amor exige, animando também a comunidade arquidiocesana a caminhar e agir na esperança. Essa, de fato, é a atitude própria da Igreja de Cristo, que não esmorece no anúncio do Evangelho, mesmo quando os frutos não aparecem imediatamente, ou quando ela precisa ir contra a corrente e a cultura dominante. “A esperança não decepciona”, afirma o Apóstolo, pois, mais do que na capacidade humana, ela está firmemente fundada em Deus. Falamos da esperança, virtude teologal, recebida como dom do Espírito Santo no Batismo, junto com a fé e a caridade.
 

Essa mensagem sobre a esperança está perfeitamente sintonizada com o espírito do Advento, cujo início coincide com a comemoração do jubileu sacerdotal de dom Paulo. No Advento, anunciamos a esperança grande, que se refere ao Deus que vem ao nosso encontro e de nossa vida, como um caminhar ao encontro de Deus. Esse é o horizonte grande da nossa existência, sua razão de ser e sua compreensão mais profunda. São Paulo nos lembra que não temos aqui morada permanente e que neste mundo somos peregrinos a caminho da “pátria definitiva” (cf Fl 3,20). O livro do Apocalipse identifica esta pátria definitiva com a “Jerusalém celeste” (cf Ap 20), preparada por Deus para seus eleitos; Jesus identifica este lugar do futuro de Deus com a “casa do Pai”, onde há muitas moradas (cf Jo 14,2) e onde ele já está, glorificado, junto com o Pai e o Espírito Santo, com os anjos e os santos.
 

Definitivamente, o Advento nos recorda que o cristianismo, baseado na Palavra de Deus, é a religião da grande esperança. Essa esperança está fundamentada na certeza da fé no Deus bom, justo e misericordioso, que não nos chamou à existência para o engano e a frustração, mas para a realização plena do sonho de viver e ser felizes; a esperança cristã baseia-se no Deus fiel às suas promessas, que assim se revelou, de tantos modos, ao longo da História da Salvação. No Advento, os profetas, sobretudo Isaías, no-lo recordam novamente, de maneira comovente. Deus não deixa o mundo no abandono, nem o entregou às forças do mal; é Deus presente, providente, companheiro da humanidade, um Deus pedagogo e pai, que ama, ensina, corrige, tem paciência, perdoa e anima seus filhos a caminharem na esperança. Sinal maior dessa fidelidade e presença amiga de Deus junto das criaturas foi o envio de seu Filho único, Jesus Cristo, ao nosso mundo. 
 

O Advento e o Natal nos fazem viver também hoje a promessa e a surpreendente fidelidade de Deus na realização da nossa salvação. Porém, o Advento também nos recorda que não se trata de uma esperança passiva e de braços cruzados. Ao longo deste tempo, somos chamados à conversão, a colocar nossa vida em sintonia com Deus e a nos tornarmos sempre mais cooperadores na obra de Deus. Já no 1º Domingo do Advento, o profeta Isaías nos faz este apelo: “Vinde, todos, (...) deixemo-nos guiar pela luz do senhor!” (cf Is 2,5). Fora dessa sintonia com Deus, não há esperança e vem a tentação de construir um “reino” sem Deus, ou até contra seus desígnios; é reino de Babel, da confusão que leva à morte. Na 2ª leitura ouvimos o convite a “despojar-se das ações das trevas (...) e a revestir-se do Senhor Jesus Cristo” (cf. Rm 13,12-14). E Jesus convida à vigilância atenta e a estar sempre preparados para ir ao encontro do Senhor e para acolher a sua chegada (cf Mt 24,37-44).
 

 A esperança cristã, portanto, leva-nos ao empenho concreto para edificar este mundo “segundo Deus” e a colaborar com todos aqueles que também abraçam esse projeto, animados pela esperança. Quem não tem esperança, perde o rumo na vida e pode ser tentado facilmente a entrar por caminhos “que levam à morte”.
A esperança sustenta a Igreja no “teimoso” anúncio do Evangelho, na denúncia dos males e no convite a tecer o convívio social na justiça e na solidariedade; a esperança anima e dá coragem aos leigos a se empenharem no mundo, na realização daquilo que é bom e na edificação das realidades terrestres, conforme o projeto do Reino de Deus. A esperança cristã faz com que nunca nos sintamos vencidos e desolados, apesar de não alcançarmos ainda tudo aquilo que nos propusemos para ajudar os pobres, os doentes e todas as pessoas que sofrem, sabendo que o Espírito de Deus continua a suscitar novas energias – “de esperança em esperança” – enquanto o Reino de Deus não se manifesta definitivo.
 

 Povo de Deus, deixemo-nos guiar pela luz do Senhor! Caminhemos firmes na esperança, constantes na oração, empenhados na conversão pessoal e comunitária, nas ações de solidariedade e na prática da justiça. Caminhemos com alegria ao encontro do Senhor que vem. O Deus da esperança conforte os nossos corações!
 

Card. Dom Odilo P. Scherer

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