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A Realidade da Família Imigrante - Mariana e Marcos Camarote (Londres)

Por: Família Missionária

Muitas são as verdades quanto se trata da relação entre a família e a imigração. São muitos os casos onde um membro imigra enquanto o restante da família fica no Brasil, ou quando o casal imigra deixando os filhos para traz ou ainda quando o casal recém casado deixa seus pais e embarca na experiência do desconhecido.  Em todas essas situações existem dificuldades e aprendizados muito particulares a cada indivíduo, mas hoje gostaríamos de falar-lhes um pouco sobre a vida conjugal daqui do outro lado do hemisfério.

A maioria dos casais que imigra para o Reino Unido é composta por jovens recém casados que, na maioria das vezes estão , ainda,  muito ligados com os pais na terra natal.  É essa ligação que os trazem para a comunidade, na nossa Capelania*. Aqui revivemos a cada semana um pouquinho da nossa terra, quando cantamos nossas músicas e ouvimos nosso Padre na homilia. Todas essas ações são como se fossem um retorno à nossa casa. Muitos nos afirmam que são esses momentos que os fortalecem na luta longe da família. A distância entre os familiares também os aproximam da Igreja, e de uma maneira mais adulta, já que aqui não tem mãe, nem pai, cobrando a ida à missa ou a participação na comunidade. As pessoas, realmente, deixam se encontrar com Jesus e vivem com paixão suas espiritualidades.

É claro que, com a vida frenética de uma cidade grande, como Londres e especialmente para nós imigrantes que queremos trabalhar o máximo, nossa participação é limitada e os trabalhos na comunidade têm que se acomodar aos diversos horários de nossos trabalhos. Por exemplo: em uma das comunidades a senhora, que limpa o hall da Igreja o faz às 5h da manhã, porque depois tem outros trabalhos. Nossas reuniões de pastorais são, muitas vezes, através do telefone ou do MSN, pois todos trabalham em diferentes horários e assim vai…

Outro fator que muito influencia a vida imigrante é o fato de que temos que dividir a casa onde moramos. Como o aluguel aqui é muito caro e economizar é o nosso lema, é comum dividirmos nossas casas e nossas vidas com estranhos. Essa circunstância tem dois aspectos: por um lado, nos chateamos porque são muito diferentes os costumes, principalmente os de limpeza, de organização… e por outro lado também fazemos amigos para uma vida inteira. Descobrimos que às vezes damos muita importância ao que não tem. Aprendemos a sermos mais tolerantes e a vivermos com o essencial. Para se ter uma idéia: aqui quando se tem uma mesa onde se pode servir o jantar já nos sentimos ricos. Com tudo isso aprendemos muito a dar valor ao que realmente tem valor: as pessoas e as relações. E é justamente quando começamos a entender isso que a saudade dos filhos que ficaram ou dos familiares começa a apertar. Ressaltamos: é na comunidade que encontramos forças, conversando com outros na mesma situação, participando de encontros de suporte para as famílias separadas ou trabalhando na comunidade que, de alguma maneira, nos encontramos com nossa família novamente.

A verdade é que fora do País e longe da família, o casal tem a oportunidade de realmente viver a relação um com o outro e também fortalecer a sua espiritualidade.  E na solidão e na saudade é que descobrimos o ser amigo e companheiro que vive ao nosso lado e é quando temos ainda mais certeza de que há um Jesus Maravilhoso sempre a olhar por todos nós. 

*A Capelania Católica Brasileira Nossa Senhora Aparecida tem sua base em Londres, na Inglaterra. Participam das missas aproximadamente 50.000 pessoas por semana nas 10 comunidades espalhadas pela cidade.

Mariana e Marcos

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