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Próximo aos enfermos - Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Por: Família Missionária

A Igreja Católica e a sociedade, pelo mundo afora, são convocadas a acolher o convite do Papa Bento XVI: cultivar a proximidade espiritual junto aos enfermos. Este apelo está na sua mensagem pelo Dia Mundial do Doente, que é celebrado junto com a festa de Nossa Senhora de Lourdes.  O Papa, na sua mensagem, sublinha que “no acolhimento generoso e amoroso de cada vida humana, sobretudo da frágil e doente, o cristão expressa um aspecto importante do seu testemunho evangélico, segundo o exemplo de Cristo, que se debruçou sobre os sofrimentos materiais e espirituais do homem para os curar”.

A convocação é, pois, a indicação do quanto é indispensável a solidariedade samaritana. Esta solicitude é também significativa na constituição e manutenção da ordem social sustentada pelo mais profundo e nobre sentido de solidariedade. É sempre oportuno sublinhar que a ordem social não pode ser pensada, e se pretender a sua manutenção, como simples resultado de um determinismo impessoal ou de mecanismos funcionais. Mas, pelas relações solidárias de uma constelação de sujeitos. O empenho de melhorar a sociedade não dispensa, absolutamente, o permanente reflorescimento da justiça e da caridade social.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também irá promover, durante o tempo da Quaresma que se aproxima, a Campanha da Fraternidade 2012, abordando o importante tema da fraternidade e da saúde pública. A reflexão sobre a realidade da saúde pública no Brasil, como objetivo geral, em vista de uma vida saudável, busca “suscitar o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e a mobilização pela melhoria no sistema público de saúde”. A mensagem do Papa Bento XVI, enriquecendo a celebração do Dia Mundial do Doente, desenha um horizonte espiritual que deve emoldurar entendimentos, lutas e projeção de conquistas necessárias para a sociedade.

O tema da mensagem é uma palavra de Jesus, numa ação de cura, quando diz: “Levanta-te e vai, tua fé te salvou”. A fé é, portanto, experiência central na compreensão e enfrentamento da enfermidade e na busca da cura. A fé também é determinante da disposição e abertura para uma solidária proximidade espiritual com os enfermos. Sabe-se dos riscos, por limites humanos, orgulho, preconceitos e egoísmos, de indiferença e até desprezo para com os enfermos, no conjunto da sociedade. A abordagem sobre a vida, a saúde e a doença conjuga desafios próprios de temáticas e realidades complexas. Quando se considera que nem mesmo as ciências detêm as condições todas para oferecer uma palavra definitiva sobre estas realidades complexas, embora conte com aparato tecnológico espetacular, compreende-se o quanto a solidariedade é indispensável.

O convite a cultivar proximidade junto aos enfermos, propósito pertinente neste Dia Mundial do Doente, é indicação de um caminho para que toda pessoa se compreenda e se revele diante da enfermidade. A doença que chega, cedo ou tarde, de alguma maneira, confronta o ser humano com suas costumeiras onipotências, inspira a relativização dos excessos da permissividade ou aquela patológica compreensão hedonista na vida cotidiana.  Refletir e tratar a enfermidade no contexto próprio da cultura, além de criar oportunidades para as pretendidas melhorias sistêmicas, toca profundamente o tecido dos hábitos, dos valores e das prioridades. Torna-se propósito importante no enfrentamento dos reducionismos que concepções antropológicas impõem na configuração da civilização.

A proximidade espiritual junto aos enfermos é um remédio, nesse momento, indispensável para a sensibilidade humana. Um remédio com propriedades para corrigir descompassos que se impõem nos funcionamentos da sociedade e, particularmente, nas relações. A atitude espiritual de solidariedade, que inclusive deve ser ensinada às crianças, tem propriedades singulares para constituir e aumentar o tesouro humanístico, elemento indispensável para o equilíbrio e sustentabilidade das sociedades contemporâneas.

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