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SER ECUMÊNICO - Pe. Paulo Gozzi, SSS

Por: Família Missionária

Há cinquenta anos aconteceu um Concílio Ecumênico em nossa Igreja: Os bispos do mundo inteiro, sucessores dos Apóstolos, reuniram-se sob a presidência do Bispo de Roma, sucessor de Pedro, e decidiram reformar a Igreja, para que pudéssemos cumprir melhor nossa missão. Apesar de a sociedade ter progredido tanto, a Igreja permanecia paralisada nos últimos 500 anos! A fé invisível deve tornar-se visível através de expressões exteriores, conforme a cultura e os costumes de cada povo. As coisas que mudam são sempre estruturais: modo de adorar a Deus (Liturgia), de pensar sobre a fé (Teologia) e de organizar a comunidade (Ministérios e Autoridade). E é justamente nessas estruturas que surgem os desentendimentos: um grupo quer impor sua maneira de ser, pensar e agir, sem respeitar os costumes de outro grupo.
 Os cristãos brigavam e se separavam porque queriam viver melhor o Evangelho. O maior problema nunca foi a Liturgia ou a Teologia. Conversando é possível entender as razões do outro e respeitar a diversidade e a liberdade de pensar e agir em relação a estruturas necessárias, porém secundárias. Hoje sabemos, talvez tarde demais, que o importante é ser unido nas coisas essenciais, ter liberdade nas coisas secundárias e muita caridade em tudo. A origem dos desentendimentos, o pomo da discórdia, sempre foi a questão da autoridade, quem manda mais, quem tem mais dignidade e poder! A comunhão visível dos cristãos depende muito do relacionamento entre as lideranças, numa ordem hierárquica de serviços a partir do amor. Os pastores, que são ministros, isto é, servidores, a exemplo de Jesus, não vieram para ser servidos, mas para servir... Sendo humanos, por mais que tenham fé, eles sempre se esquecem da recomendação de Jesus e acabam se tornando vaidosos, autoritários, prepotentes, arbitrários e intransigentes, copiando o modelo dos poderosos do mundo. A autoridade mundana criava símbolos de seu poder usando palácios, servos, roupas e insígnias, rituais pomposos para se glorificar e se impor. Os papas e bispos passaram a fazer o mesmo, matando e humilhando a quem se recusasse a se submeter a sua indiscutível dignidade! Daí surgiu a dissidência.
Quando cada grupo cristão se isolou dos outros, passou a se julgar a única e verdadeira Igreja de Cristo. O Concílio Vaticano II veio mudar isso: agora devemos reconhecer que os outros também fazem parte da mesma Igreja conosco. Do ponto de vista místico, invisível, espiritual, a Igreja continua unida, mas do ponto de vista humano, sacramental, visível, ela apresenta-se dividida entre ortodoxos, anglicanos, católicos, luteranos, presbiterianos, metodistas etc., dando a impressão de que Cristo também está dividido. Isso precisa acabar! A partir do Concílio, entramos no movimento ecumênico, já praticado pelos outros cristãos, e deixamos o clima de hostilidade e isolamento, para viver na fraternidade, oração, diálogo e trabalho conjunto. Em pouco tempo o progresso foi notável: pastores se encontram, teólogos dialogam, eliminando aos poucos as divergências de pensamento, o povo das várias Igrejas se reúne na oração, compartilha riquezas espirituais e colabora em tarefas sociais. É esta a marcha da História!
Alguns grupos são fechados e agressivos, procurando se afirmar como os únicos que podem salvar a Humanidade! Precisamos ter paciência com eles, evitando discussões inúteis. Nosso testemunho é mostrar que os respeitamos, mas exigimos respeito ao nosso modo diferente de ser cristão. Não desesperemos: Um dia eles vão entender! Continuemos o nosso esforço renovador, para que nossa comunidade seja exemplo de união, serviço, caridade e colaboração uns com os outros. Que eles vejam nossas boas obras e glorifiquem o Pai que está no Céu! Temos, cada dia, novas provas de que vamos alcançar a completa unidade visível para atender à vontade do Senhor que diz em sua oração ao Pai: “Que todos sejam Um” (Jo 17,21).
 

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