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Morte e Glorificação - Dom Orani João Tempesta

Por: Família Missionária

A liturgia da Palavra de Deus deste Quinto Domingo da Quaresma ajuda-nos a aproximar espiritualmente, cada vez mais, do grande mistério do sofrimento do Filho de Deus, Jesus Cristo, cuja paixão e morte é mencionada nos textos deste domingo em que se inicia a Semana das Dores.

É especialmente o Evangelho de João que nos mostra a iminente hora de Cristo, que é a hora do Calvário (São João 12, 20-33): “Naquele tempo, alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». Filipe foi dizê-lo a André, e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. Agora a minha alma está perturbada. E que hei de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o Teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-Lo». A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». Falava deste modo para indicar de que morte ia morrer”.

Na breve passagem da carta aos Hebreus que lemos neste domingo, se sublinha a missão de Cristo no mundo, que é a salvação do gênero humano, através da Cruz, aqui apresentado como obediência ao Pai: "Cristo, nos dias da sua vida terrena, ofereceu orações e súplicas com grande clamor e lágrimas Àquele que poderia salvá-lo da morte, e foi ouvido pela sua piedade. Embora fosse Filho de Deus aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu e, tendo se tornado perfeito, Ele se tornou fonte de salvação eterna para todos os que lhe obedecem".

Estamos diante da celebração do novo pacto da humanidade com Deus. Aqui, o protagonista central, único e irrepetível é Jesus Cristo. Quando olhamos para a obediência de Jesus Cristo em relação ao Pai e a seu projeto de vida e amor pela humanidade, vemos uma obediência profunda e verdadeira, pautada no amor. Hoje, quando refletimos o significado da obediência a partir de Jesus Cristo, vemos uma entrega total e absoluta e não cega ou regulamenta por preceitos ou leis. Cristo viveu a obediência com profundidade porque confiava na Palavra de seu Pai, por isso sua doação foi plena e perfeita.

Na primeira leitura, no entanto, vem pronunciada para nós, mediante o profeta Jeremias, a nova aliança, fazendo ressaltar nessa alguns aspectos significativos: "Os dias estão chegando – diz o Senhor – nos quais concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá nova aliança, não como a aliança que fiz com seus pais quando os tomei pela mão para tirá-los do Egito, uma aliança que eles quebraram, embora eu fosse o seu Senhor. Esta será a aliança que eu farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: porei a minha lei dentro deles, e escrevê-la-ei em seus corações que eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Já não deverão mais instruir-se uns aos outros, dizendo: Reconhecei o Senhor, porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior, diz o Senhor: pois lhes perdoarei a sua iniqüidade e não me lembrarei mais dos seus pecados.

Nova aliança, nova lei, misericórdia, paixão e cruz de Cristo são as palavras-chave da liturgia de hoje, com os quais nos deparamos para que possamos avançar para a Páscoa com apoio espiritual necessário para celebrá-la dignamente. Na Cruz de Cristo a humanidade é julgada, mas, sobretudo, redimida. O príncipe deste mundo, o diabo, foi derrotado, porque na Cruz o amor destrói o ódio, a divisão é superada na unidade da redenção de Cristo, a ignorância das coisas de Deus é substituída pela sabedoria da Cruz, o sofrimento pelas próprias fraquezas e fragilidades é superado pela misericórdia e pelo amor de Deus. Cristo rompe a lógica da maldade e do egoísmo humano quando na Cruz se derrama em salvação à humanidade. Da Cruz, símbolo dos fracassados e subversivos, jorra abundância da graça e da misericórdia de Deus pela humanidade.  Em muitos momentos só olhamos a Cruz da dor e da humilhação e ficamos lá. É preciso olhar a Cruz com os olhos da Ressurreição, da Vitória e da Doação. O homem, em Cristo, reconquista a confiança em Deus mais do que justificada, o nosso pedido de oração, que, como a assembleia, dirigimos ao Senhor durante a celebração eucarística de hoje: "Vinde em nosso auxílio, Pai misericordioso, para que possamos viver e agir sempre naquela caridade, o que impulsionou seu Filho a dar sua vida por nós". Ou, como no Salmo 50, que recitamos entre a primeira e a segunda leitura: Piedade de mim, ó Deus, segundo a vossa misericórdia, na vossa grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado. Renovai em mim, ó Deus, um espírito inabalável. Não me afasteis da vossa presença e não retireis o teu Espírito Santo. Dai-me a alegria de ser salvação e sustenta-me com um espírito generoso. Eu ensinarei aos transgressores os vossos caminhos, e pecadores retornarão a Vós.

A Páscoa é passagem de Deus no coração da humanidade! Portanto, a Quaresma nos prepara para esse encontro, fazendo-nos olhar para nossos corações e configurá-los ao do Cristo, Deus em nossos corações. A Páscoa, agora tão próxima, já possibilita o retorno dos pecadores para a amizade de Deus e para a graça de Deus. Não é por acaso que neste tempo multiplicam-se as iniciativas para atrair os jovens, os adultos e todos para o sacramento da Confissão ou da Penitência ou da Reconciliação, porque este encontro anual com o mistério da ressurreição de Cristo, também assinala uma recuperação espiritual e comunitária, na perspectiva daquele amor que levou o Senhor a dar a sua vida por nós na Cruz. Aos poucos, lentamente nos aproximamos dos pés do Crucifixo, para que humildemente possamos lhe pedir perdão daquilo que somos e do que fazemos e, posteriormente, na luz da graça e da ressurreição, contemplá-Lo para depois anunciá-Lo com uma vida santa, longe do pecado e perversão do coração.

Nesses dias, é tempo de retomar o caminhar com um novo vigor, pois ainda é tempo, para fazer o que ainda não fizemos em mais essa Quaresma, dom de Deus para a nossa conversão, para que façamos a experiência da sua misericórdia.

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