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Fica conosco Senhor, pois se faz tarde - Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Por: Família Missionária

Estamos recebendo as luzes de Cristo sobre o mistério de sua Ressurreição. Mais que conhecimentos, somos queimados pelo Espírito como foram os discípulos de Emaús no dia da Ressurreição, e como Pedro no dia de Pentecostes. No dia da Ressurreição, os dois discípulos, que iam para Emaús, estavam desiludidos por causa da morte de Jesus. Ele entrou em seu caminho, abriu para eles o tesouro das Escrituras, e explicou-lhes o sentido de sua Morte. Sua presença de Ressuscitado era para eles uma chama no coração. Eles traziam, em si, toda a desilusão, diante da perda de toda esperança. Relatando ao desconhecido os últimos acontecimentos, isto é, a crucifixão de Jesus, mostram o vazio de sua fé. Falam de Jesus como “um profeta poderoso em obras e palavras”(Lc 24,19). Havia a esperança de que fosse libertar Israel (21). Jesus, para eles, era o vazio do interesse político-nacional. Dizer que “há três dias que essas coisas aconteceram” (21) significa que não há mais esperança, pois criam que a alma não retornava mais à pessoa. Acabou! Nem mesmo o testemunho das mulheres e dos dois que foram ao túmulo, foi capaz de animá-los:

 “A Ele, porém, ninguém viu” (24). Essa visão de fé é dominante em nosso meio: queremos o sensível e não somos capazes de ler a realidade. O que falta? Perceber que Jesus caminha conosco, abre-nos os tesouros da Escrituras e pelo seu Espírito, instrui nosso coração.   Nosso coração ardia  Chegados que foram à hospedaria, disseram: “Fica conosco, Senhor, pois cai a tarde e o dia declina”. “Jesus entrou para ficar com eles. Quando se sentou à mesa, tomou o pão, abençoou-o, partiu e lhes distribuía” (Lc 24,29-30). Jesus é o hospede que hospeda. Cristo vivo põe a mesa e parte o pão. Já lhes partira o pão da Palavra, agora parte o Pão da Vida. Contemplamos, nesse texto, a resposta à pergunta: Onde está Cristo? Também na Eucaristia, pois estava com eles quando caminhavam juntos e quando explicava a Escritura. Abrem-se seus olhos e caminham para anunciar a Ressurreição. Não há mais temor, mas a segurança do Espírito. Caminhavam na noite da falta de fé e agora, na noite iluminada pela bela lua de Páscoa, caminham no clarão da fé na Ressurreição. Pedro, cheio do Espírito que recebera e animado pela mesma fé, faz o primeiro anúncio sobre Jesus que por um desígnio e presciência de Deus fora crucificado (At 2,23). Não fora um acaso da história. Mas Deus o ressuscitou. Esse é o anúncio que converte os corações.
 

Em nossas celebrações sentimos arder coração. A fé que temos em Jesus, fortifica-nos quando somos tardos para crer. Ele abre para nós as Escrituras nas mais diversas páginas da vida: na comunidade, nos acontecimentos dos tempos, na pessoa do irmão, na beleza do mundo. Ele nos ilumina com sua Palavra para que, queimados pelo fogo do Espírito, possamos acolhê-lo na hospedaria de nossa vida, de nossa comunidade e ali partilhar de sua intimidade. Em cada Eucaristia, celebrada e vivida no partilhar a vida, Ele abre nossos olhos para vê-lo. O calor do Espírito assa o Pão da Vida e nos alimenta para que, também nós, alimentemos o mundo com nossa fé e nossa fraternidade. Esse é o anúncio da Ressurreição que o mundo espera. Nosso coração, ao sentir a presença amorosa do Senhor em nosso meio, exclama em suas dificuldades: “Fica conosco, Senhor, pois já se faz tarde e a noite vem chegando”. Nada como uma chama para alumiar quando sentimos a noite chegar.

A narrativa dos “discípulos de Emaús” é um anúncio muito amplo da Ressurreição, que tem muito a ver com nossa vida de comunidade. Perguntamos: “Onde está Jesus?” Os dois sentiam profunda desilusão pelo fracasso de Jesus. Para eles estava terminada toda esperança, mesmo diante do testemunho das mulheres e dos que foram ao túmulo. Nossa fé se assemelha muito à sua, pois não somos capazes de acolher o Ressuscitado.
A cena da hospedaria conduz à fé, a partir da manifestação de Jesus na Eucaristia. Eles o convidam a ficar. Jesus abençoa o pão, parte e o dá a eles. Neste gesto, reconheceram-no. Correm para comunicar aos discípulos, com o coração ardendo de alegria. Caminharam de dia no escuro da fé e no escuro da noite, caminham na luz da Ressurreição. Pedro faz a mesma experiência no dia de Pentecostes: sai da noite e vai para o Dia. Em nossos corações sentimos arder o coração. Jesus fortifica nossa fé quando somos tardos para crer. Ele abre para nós as Escrituras e nos acolhe na sua hospedaria com o Pão da Vida. Temos condições para ir anunciar sua presença e a força de sua Ressurreição. Nas fragilidades podemos dizer: Fica conosco, Senhor.

Depois que Jesus ressuscitou e subiu ao Céu, os discípulos passaram por uma crise bem grande de fé. Estavam acostumados com a presença de Jesus no meio deles. Agora era a fé que tinha que orientar tudo. Onde está Jesus? Esse evangelho, que narra o encontro com os dois discípulos que iam para Emaús no domingo da Ressurreição, quer nos dar a resposta.  Os dois iam juntos (fraternidade); conversando sobre os últimos acontecimentos (sinais dos tempos); Jesus chega e entra na conversa deles e explica-lhes as Escrituras (Palavra); chegando à hospedaria Ele reza a bênção, parte o pão e o distribui (Eucaristia). Eles voltam para contar aos demais o ocorrido (anúncio). Onde está Jesus? Na comunidade fraterna quando procuramos ler interpretar os sinais dos tempos à luz da Palavra, sobretudo na celebração da Eucaristia. Nós procuramos sinais maravilhosos quando pisamos sobre a pérola de sua presença. Jesus não está escondido. Nós é que tapamos os olhos para não encontrá-lo.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira, Redentorista

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