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Ele assumiu nossas dores - Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Por: Família Missionária

Temos ouvido que muitos países, como a União Europeia e também o Brasil, tiram os crucifixos dos lugares públicos para respeitar as outras religiões. A educação religiosa também foi excluída das escolas. Já vimos alguns resultados desastrosos. A representação de Cristo Crucificado é a expressão clara do sofrimento que carregou em toda a sua vida. A penitência não é para provocar dor, mas para viver a dor em união a Cristo sofredor. Jesus diz: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). Ele foi ao máximo dor: “Aniquilou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo… Humilhou-se e foi obediente até à morte, e morte de cruz” (Fl 27,8). Obediência é a abertura ao Pai. Ir até ao extremo para manifestar o total amor e atrair o mesmo amor. Cristo é o servo sofredor que carregou nossas dores e curou nossas chagas (Is 53,4-5). Foi experimentado no sofrimento (Hb 4,15). Por isso pode compreender os que sofrem. Os sofrimentos não eliminaram em Cristo a alegria de viver e a participação da vida do povo. Sabia condoer-se das pessoas que sofriam e as convidava: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28). A resposta de Deus a sua entrega foi a Ressurreição.

A cruz é uma das forças da espiritualidade. A santidade é coroada de glória e de espinhos porque o fiel que se une a Cristo passa pelos mesmos sofrimentos que Ele passou e chega à ressurreição. Infelizmente a cruz não faz parte de nossa espiritualidade. Basta o espinho da dor tocar nossa carne, como lemos em Jó, mudamos muito nossa atitude espiritual. Satanás diz a Deus, no livro de Jó: “Estende agora a mão, e toca-lhe nos ossos e na carne, e ele Te lançará maldições!” (Jó 2,5). A dor e o sofrimento coroam a vida dos santos. Passam por dificuldades incompreensíveis. É nela que mostram o cumprimento da vontade de Deus. Não só os santos do altar, mas os santos nossos de cada dia que carregam grandes sofrimentos com serenidade. Não queremos o sofrimento, mas sim a disposição com que Cristo se entregou totalmente ao Pai pelo mundo, “em vez da alegria que lhe foi proposta, sofreu a cruz, desprezando a vergonha” (Hb 12,2). As pessoas sofrem muito. Cristãos “devotos” perdem todo o poder de redenção que o sofrimento possui. Estar unido a Cristo em sua dor é o maior lenitivo que se possa ter. A santidade não é buscar o sofrimento, mas encontrar Deus durante o sofrimento e unir-se ao Cristo que se oferece ao Pai pelo mundo.

Unir-se aos que sofrem e dedicar-se a eles como ao Cristo, faz parte da espiritualidade vivida no sofrimento. Com razão Jesus disse no discurso escatológico (Mt 25,31-46): “Estive doente e viestes me visitar” (36). Jesus, no caminho do Calvário, recebe ajuda de Simão de Cirene que foi obrigado a carregar a cruz para que Ele chegasse vivo ao máximo do sofrimento. Ele é o exemplo claro da espiritualidade do sofrimento: ajudar a carregar a cruz. Esta ajuda poderia humanizar muito os sofrimentos dos doentes que, às vezes, ficam completamente isolados em sua dor. O funcionário de um hospital ou um acompanhante pode simplesmente trabalhar ou pode ser a mão de Jesus que acaricia e cura os sofredores. Há outros tipos de males, carências, misérias, sofrimentos espirituais e psicológicos que necessitam de ajuda. Busquemos todos os meios para ter saúde, e aceitemos todos os males para completar em nosso corpo o que falta à redenção de Cristo em seu corpo que é a Igreja (Cl 1,24). O sofrimento é a maior escola espiritual e de sabedoria humana.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira
Missionário Redentorista

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