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Jesus é água viva - Pe. Wagner Augusto Portugal

Por: Família Missionária

Jesus é a água viva

1. Deus tem sede

"O deserto é belo porque no meio dele há um poço" (St. Exupéry).

Os patriarcas, em suas migrações, armavam uma tenda e cavavam um poço. A história da salvação faz referência a vários poços. Jacó dera esse poço, que era uma fonte de vida, a sua descendência.Jesus, ao meio dia, senta-se ao lado do poço e pede de beber a uma samaritana. Na Cruz, repetirá: "Tenho sede". A sede de Deus é dar de beber!Junto àquela água, dá-se um diálogo. Era Deus que abria um novo poço para sua sede. Ali esperou uma mulher "meio pagã", símbolo do mundo sedento, que não sabe onde encontrar a água.

"A água que eu lhe der se tomará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna" (Jo. 4,14), diz Jesus. Esse evangelho é colocado nesse domingo em vista da preparação para a celebração do Batismo, na noite de Páscoa.Temos cinco domingos da quaresma. No primeiro domingo, Cristo vence o mal; no segundo, Ele é transfigurado. Faz a promessa da "água viva" no terceiro domingo e, no quarto, manifesta-se como Luz. Finalmente, no quinto, Ele é a vida.

No simbolismo da água, encontramos Cristo que dá a Água Viva no batismo. Ali, junto ao poço de Jacó, Ele espera pela samaritana. Os samaritanos eram o resultado de uma mistura de judeus e cinco povos e seus deuses (os 5 maridos da mulher). Ela se admira que Ele peça água a uma mulher e, pior, a uma samaritana.Jesus é a realização da profecia: "Bebereis com alegria das fontes da salvação" (Is. 12,3). Ele faz-lhe uma catequese. Jesus que não cede na fé - "A salvação vem dos judeus"; abre os tesouros de Deus a todos: "Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em Espírito e Verdade" (Jo. 4,23). A verdade está ali: O Cristo. "Sou eu que estou falando contigo" (Jo. 4,26).

Os samaritanos creem em Jesus. Ele é a fonte da Água da Vida. "Quem beber desta água não terá mais sede. E a água que. eu lhe der se tomará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna" (Jo 4,14). As águas do Batismo matam a sede de vida eterna. Crer em Jesus é ser lavado do pecado. O batismo faz germinar uma vida nova em Cristo.

2. Nós Temos Sede

A samaritana busca água para sua sede e encontra em Jesus a fonte. "Dá-me desta água". Dar água é acolher. Jesus, ao pedir água, pediu para ser acolhido e, ao mesmo tempo, acolheu. A água que Jesus dá é o Espírito, a força que vem de dentro e 'jorra para a vida eterna'.O Povo no deserto murmura contra Moisés. Eles não têm água, preferem voltar ao Egito e ser escravos (Ex. 17,3). Moisés bate na rocha e brota água abundante (Ex. 17,6).

Cristo é a Rocha que dá a água do Espírito. Paulo nos ensina que somos salvos e justificados por Ele. Essa salvação vem a nós pelas águas do batismo que saciam nossa sede fundamental de ter Deus. A sociedade quer fazer-se salvadora de si mesma e não salva ninguém. Temos uma fonte, de água corrente (água viva) que jorra do lado aberto de Cristo (Jo. 9,34). Esse rio fecunda nossas vidas a partir do batismo, e jorra em nossas celebrações.

3. Adorar em Espírito e Verdade

Jesus tem um diálogo religioso com a samaritana, que queria saber onde adorar a Deus: em Jerusalém ou no monte Garizim. Ele responde que os verdadeiros adoradores superarão a religião de templos, e irão à adoração em Espírito e Verdade. No Espírito Santo e em Cristo.A mulher vai avisar o povo sobre Jesus. Encontrar Jesus leva-a a deixar o balde vazio e levar outros às fontes d'Água Viva. Ela é a primeira missionária que convida a acolher a fé. Relata a experiência que ela própria fez. "Vi um homem... assim, assim; não será ele o Messias?"

No tempo da quaresma, fazemos uma caminhada batismal. Para nós, em cada Eucaristia, brota um rio de Água Viva na assembleia da Igreja.  Como nós já havíamos refletido no primeiro domingo da Quaresma, nos primórdios da Igreja, a Quaresma era o tempo de preparação dos catecúmenos para a solenidade do Batismo. E o terceiro domingo da Quaresma era o momento em que os catecúmenos prestavam o exame de admissão, ou seja, os escrutínios. Neste dia liam-se os grandes textos bíblicos com alusões ao Batismo em referência ao Evangelho de João. Na renovação da vida Litúrgica da Igreja os textos que se referem ao Batismo são lidos e refletidos de hoje até ao 5o. Domingo da Quaresma.

A Primeira Leitura deste domingo (cf. Ex 17,3-7) e o Evangelho relacionam-se como figura e realização: a água pedida pelos israelitas no deserto prefigura a água viva que Jesus dá. Mas a água exigida pelos hebreus era coisa que eles conheciam e queriam; murmuraram até, pondo Deus à prova, conforme nos anuncia o salmo responsorial: “Não fecheis, irmãos, o vosso coração, como outrora no deserto!” (Cf. Sl. 94). A samaritana, entretanto, não conhece nem pede o dom que Jesus, misteriosamente, Lhe oferece gratuitamente. Jesus tem de conduzi-la para além de sua incompreensão. E assim, ela mesma provoca a busca dos samaritanos, que acabam se dirigindo a Jesus.

Na primeira leitura os israelitas pedem água, no deserto. Deus é conosco, ou não? Nestes termos, Israel colocou Deus à prova, quando faltou água e em outras circunstâncias na travessia do deserto. Apesar dos desafios, Deus se tem mostrado fiel, dando água, não só para matar a sede no deserto, mas a água da vida eterna de cada dia, a água de um poço já representa este grande dom.A liturgia deste domingo coloca em evidência a água, no sentido simbólico que se apresenta no batismo. Significa o dom de Deus, que é Jesus mesmo. E como nos ensina a Segunda Leitura, esse dom de Deus é gratuito: seu representante, seu Filho, deu a vida por nós enquanto éramos seus inimigos! Receber essa água, no batismo, é deixar-se envolver com esse amor gratuito de Deus, em Jesus Cristo, é comprometer-se com essa imensurável bondade. Isso só é possível porque Deus nos amou primeiro.

O episódio da samaritana nos é apresentado porque ele dá um encantamento a quaresma, que é tempo de penitência, de jejum e de oração para bem celebrarmos a Páscoa do Senhor. E este episódio coloca em evidência que a samaritana nos ensina a adorar verdadeiramente a Deus, e com isso nos diz como manter vivo e intenso o contacto entre nós e Deus.Assim, a conversão é um reavivamento do nosso batismo, onde a água, pela força divina, nos lavou dos pecados, nos abriu as portas do céu. Não a água em si, mas aquele que ela significa: o Redentor, o Salvador, o Cristo Senhor.O batismo não pode ficar preso apenas a um ritualismo de tirar a criança do paganismo. O batismo envolve toda a vida do cristão e gera um compromisso de participar da vida da comunidade, de crescer em sabedoria, em caminhar em santidade para termos três atitudes básicas na vida dos batizados: o louvor, a reverência e o serviço a Cristo pelos irmãos.

Jesus usa, por doze vezes, o termo mulher no Evangelho de hoje (cf. Jo 4,5-42 ou 4,5-15.19b-26.39.40-42). Por isso é importante notar que a Samaritana se torna o modelo de verdadeira discípula de Jesus. Isso porque ela convida seus conterrâneos com as palavras da fé: “vinde e vereis!”. Verdadeira discípula porque a samaritana ouve, abre o coração e a mente à verdade, crê com fidelidade e dá ao mundo o testemunho. Essa deve ser a nossa atitude nesta preparação mais próxima para a Páscoa.

Isso porque Jesus, um Judeu, passando pela Samaria, teria que superar uma antiga rivalidade entre os judeus e os samaritanos, que se evitavam, se odiavam e se provocavam mutuamente. E isso, muitas vezes, infelizmente ocorrem em nossas famílias, em nossas comunidades e em nossas Paróquias. Jesus estava sentado ao lado do poço, Ele o Filho predileto do Pai do Céu, capaz de dar não apenas um poço de água corrente, mas água viva, que jorra para a vida eterna.

Naquele tempo, nenhum homem descente abordava uma mulher em público, conforme o costume, tanto judeu quanto samaritano. Assim, um judeu que se prezasse não pedia jamais um favor a um samaritano. Jesus, entretanto, quebra dois preconceitos ao mesmo tempo, coisa que escandalizou aos seus próprios discípulos: conversa com a samaritana, mulher e pede a ela que lhe desse de beber.

Isso tem um significado muito especial para todos nós: Jesus veio para chamar os pecadores à conversão, não importando qual a categoria de seu pecado, se leve ou grave, se público ou privado, Jesus veio dar um rio de água viva, que é a mudança de vida, a emenda de comportamento e a graça pela santidade.

Jesus chocou os hebreus que detestavam os pecadores. Os hebreus que não acolhiam o diferente, como a samaritana que era pagã, de vida desregrada, e, infelizmente mulher. Seria uma insanidade perder tempo, qualquer rabino que fosse, passando ensinamentos para uma mulher.

Jesus vai na contra-mão: tem uma atitude de misericórdia, abrindo o coração a uma pessoa necessitada de sua ajuda.

O dom da água viva, Jesus o Salvador. O simbolismo da água sugere o dom do Espírito – que nos ensina a segunda leitura – de Deus, mas para entender isso é preciso ser ensinado por Cristo. O Evangelho hodierno mostra tal ensinamento. No fundo, o próprio Cristo é dom de Deus – e para os que vêm depois dEle, é o Espírito que se lhes dá, na água que significa o dom divino. Assim, será verdadeiramente possível amar Deus “em espírito e verdade”, ou seja, não em instituições humanas.

A misericórdia tem muitas faces: misericórdia que gera justiça, misericórdia que dá o pão a quem tem fome. E o pão que interessa é o pão da vida eterna, que dá alimento para o contacto com o Criador. Por isso somos convidados a nos esforçarmos não pelo pão que perece, mas pelo alimento capaz de dar a vida eterna, a vida em Deus, conforme nos ensinou Jo 6,27.

A água do Batismo gera a fonte da vida eterna. O Batismo é o sacramento-porta, que abre as portas da eternidade, apagando nossos pecados e nos tornando herdeiros da vida divina. No Batismo nos tornamos morada da Santíssima Trindade.

Para ser batizado é necessário conhecer o dom de Deus; reconhecendo no Cristo o Messias e Salvador e sair do pecado e de si mesmo e ir ao encontro de Jesus, fazendo a vontade do Pai, realizando no  mundo as obras que o Pai quer e continuar a missão de Jesus na terra, dando sempre o testemunho da pessoa divina-humana de Jesus.

A segunda leitura (cf. Rm. 5,1-2.5-8) mostra que Deus nos amou – em Cristo – por pura graça. O que o batismo nos oferece é um puro dom, pura graça. Não o merecemos: Cristo morreu por nós enquanto éramos pecadores. Paz, graça, esperança da glória divina, nossa justificação e adoção por Deus, nós temos e sabemos tudo isso pelo Espírito que Cristo nos dá, o Pai.

Por ocasião deste ano o santo Padre Bento XVI, tornou pública uma exortação ao povo fiel em que fala: “O pedido de Jesus à Samaritana: “Dá-Me de beber” (Jo 4,7), que é proposto na liturgia do terceiro domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da “água a jorrar para a vida eterna” (v. 14): é o dom do Espírito Santo, que faz dos cristãos “verdadeiros adoradores” capazes de rezar ao Pai “em espírito e verdade” (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, “enquanto não repousar em Deus”, segundo as célebres palavras de santo Agostinho”.

Encontramos-nos diante da sede de um povo no deserto, da sede de uma mulher no poço. A sede e símbolo de uma necessidade íntima, vital, torturante. Além da sede fisiológica há uma sede mais profunda em todo homem, em toda a sociedade, em toda comunidade de nosso tempo, particularmente naqueles que estão afastados de Deus e da Igreja: buscamos cada vez mais “coisas” para saciar a nossa sede. Nada nos basta. Nada nos satisfaz. Nossa civilização somente nos oferece os “bens de consumo”, não os benditos valores espirituais.

O mundo convida aos homens e mulheres ao oportunismo, ao mais fácil, ao mais seguro e ao mais cômodo. Os ideais de coerência, de sinceridade, de amor, que existem em todos os homens, são em geral frustrados, traídos por quem os propugna ou pelo indivíduo incapaz de resistir à pressão dos que o cercam. Todos falam do valor de colaboração, todos reconhecem que somos globalmente responsáveis pelo caminho da humanidade, no entanto, o que encontramos é insensatez, orgulho, instintos de domínio, de grandeza, inclinação para a agressividade, para um prazer às vezes exacerbado, incontrolado e irracional.

Ao lado do poço, aonde a humanidade vem buscar a água que mata a sede e purifica o corpo, Jesus se apresenta como a água viva, capaz de satisfazer por inteiro a sede espiritual da humanidade. Jesus é a fonte de água viva e quem beber desta água nunca mais terá sede.

Padre Wagner Augusto Portugal


 

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